Postagem em destaque

saiba

VE

Banco_BMC_Consignado_Prefeitura _SP

Banco BMC Consignado Prefeitura SP
Reestruturação do setor deve seguir na pauta
A concretização da compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil (BB) reafirma o cenário de reorganização do setor bancário. Nos últimos 12 meses, das grandes instituições do País a única que não se movimentou, adquirindo outro banco, foi o Bradesco. O espanhol Santander, quarto no ranking por ativos, comprou a operação local do holandês ABN Amro Real. Na seqüência, houve a megafusão Itaú-Unibanco - antes na terceira e na quinta posições, respectivamente - , formando a maior instituição do Hemisfério Sul, ultrapassando o então líder BB. Agora, foi a vez do Banco do Brasil reafirmar sua posição de segundo maior do País em ativos adquirindo a Nossa Caixa.
A última compra relevante de um banco pelo Bradesco ocorreu no começo do ano passado, quando adquiriu o BMC, forte em crédito consignado. Este ano, o único movimento do Bradesco foi a aquisição da corretora Ágora. Rumores de outras negociações, envolvendo a aquisição de bancos como Votorantim, Safra ou mesmo a operação local do Citbank devem ganhar fôlego após o fechamento da compra da Nossa Caixa pelo BB.
"É natural que qualquer eventual negociação em curso se acelere com todo este movimento. Tecnicamente, os bancos estão sempre abertos a compras e o Bradesco, de fato, não faz nenhuma compra significativa há um bom tempo", avalia Luiz Miguel Santacreu, analista de banco da Austin Rating. Embora o ranking dos bancos por ativos tenha se alterado após a fusão Itaú-Unibanco, Santacreu lembra que há outras formas de avaliação de um banco e que, neste caso, o BB está muito bem posicionado.
"Mesmo com a compra da Nossa Caixa, o BB ainda está longe de alcançar o Itaú-Unibanco, mas o banco segue líder em depósitos, com R$ 263 bilhões", diz o analista. O Itaú-Unibanco tem, em depósitos, bem menos do que o BB, cerca de R$ 167 bilhões, enquanto o Bradesco tem R$ 139 bilhões. Em total de crédito, outro indicador importante, o BB após a compra da Nossa Caixa passa a ter R$ 213 bilhões, atrás ainda do Itaú-Unibanco, com R$ 225 bilhões, mas isto pode não durar muito. "A diferença é relativamente pequena e o BB deve seguir comprando carteiras de crédito. Em uns seis meses esta situação pode se inverter." Em todos os critérios, o Bradesco está em terceiro - com R$ 422 bilhões em ativos, R$ 139 bilhões em depósitos e R$ 160 bilhões em crédito - agora um pouco mais distante dos líderes BB e Itaú-Unibanco.
O presidente da EFC-Engenheiro Financeiros & Consultores, Daniel Coradi, lembra que o governo tem demonstrado interesse em ter mais ativos sob seu controle. O próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, falou nesta semana que o Banco do Brasil tem de ser a maior instituição do País. "A MP 443 veio nesta direção, facilitando a aquisição de outros bancos pelo BB", diz Coradi. Na entrevista ontem, o presidente da instituição, Antonio Francisco Lima Neto, reconheceu que a MP facilitou a estratégia de crescimento não-orgânico do BB. Sobre um possível interesse no Banco Votorantim, Lima Neto, disse ser apenas "mera especulação, embora o BB continue buscando oportunidades".
Para Coradi, nenhum dos dois principais alvos de especulação, o Votorantim e o Safra, precisam de recursos. "São dois bancos em boa condição, é difícil saber se as famílias donas das instituições têm interesse em uma venda", diz. No caso específico do Votorantim, lembra o analista, poderia ser uma aquisição muito interessante para o BB. "O Bradesco eu considero um banco mais completo, já o BB não é tão forte na área de veículos e a compra do Votorantim reforçaria seu portfólio."
Das instituições estrangeiras presentes no Brasil, o Citibank também chegou a ser citado como um possível alvo das instituições, com a venda da operação local. Embora Vikram Panditi, presidente mundial do banco, tenha reafirmado em visita ao País o interesse em crescer localmente, Coradi lembra que o Citi nunca mostrou sua vocação no Brasil. "A situação do banco americano é delicada lá fora, além disso não faz sentido o Citigroup investir mais no México, com o Banamex, do que em um mercado mais promissor como o Brasil."
Instituições podem "importar" algumas noivas do exterior
Que Bradesco e Banco do Brasil (BB) vão se mexer na tentativa de recuperar a liderança no ranking do setor ninguém duvida. Agora a estratégia a ser adotada pelos bancos ainda é uma incógnita. Comprar uma outra instituição no mercado local é o mais obvio, mas não há muitas opções com capacidade de elevar Bradesco e BB novamente à condição de líderes. Além disso, após a fusão Itaú-Unibanco a tendência é de elevação nos preços dos alvos em potencial. Uma alternativa, dizem, poderia ser a compra de empresas de atuação específica, como seguradoras e financeiras, estratégia que já vem sendo usada pelo Bradesco. Outra opção seria, em meio a uma crise global que afetou muitas instituições, adquirir um banco no exterior.
Esta é a opinião do sócio da Integral-Trust e ex-economista-chefe da Febraban, Roberto Luis Troster. "Acho mais viável que os bancos importem uma noiva, com ganho em volume de ativos e avançando no processo de internacionalização, do que uma aquisição interna", diz Troster. "A crise global, que afeta os resultados de muitos bancos, pode facilitar a compra de uma instituição no exterior." Para o economista, o próprio Itaú pode sair na frente. "Não tenho dúvidas de que, mesmo após a fusão com o Unibanco, o Itaú possa inaugurar este movimento comprando um banco no exterior", comenta Troster. Os principais mercados, diz o economista, são México e Argentina.
Internamente, um nome específico, o do banco Votorantim, tem sido alvo de especulações envolvendo uma negociação que já estaria em curso com o BB. Ninguém confirma a operação. O que há de certo envolvendo o BB, o maior banco do País antes da fusão Itaú-Unibanco, é uma possível aceleração das negociações para a compra da Nossa Caixa. "A MP 443, da estatização, já facilitava as coisas. Agora, após a fusão, acredito que o processo deve ser acelerado", avalia João Augusto Salles, economista da consultoria Lopes Filho. "O banco é importante para o BB porque reforça a presença dele no mercado paulista."
Em relação aos boatos envolvendo o Votorantim, Salles diz que ele é um dos poucos bancos locais interessantes, dentro da estratégia de se aproximar do novo Itaú-Unibanco. "No momento de disputa, o preço de uma instituição como o Votorantim pode crescer muito e, em alguns casos, fica mais interessante cindir a instituição", diz o economista. "Uma hipótese seria o BB ficar com a área de financiamento e o Bradesco com o corporate. Esta pode ser a opção mais viável."
No leque de opções de Bradesco e BB, diz o economista da Lopes Filho, também não pode ser descartada a possibilidade de compra da operação brasileira de algum banco estrangeiro, lembrando da última aquisição neste molde feito pelo Itaú ao comprar a operação local do BankBoston. "As instituições poderiam buscar a compra, por exemplo, da operação brasileira de um Citi, com problemas graves lá fora, ou um HSBC", diz. No caso específico do Bradesco, lembra Salles, também é possível a manutenção da estratégia de aquisições pontuais. "Eles vêm fazendo isso muito bem, comprando a Amex, em cartões, a corretora Ágora, o BMC em consignado, e a Finasa, em veículos", diz. "As instituições vão se movimentar, mas sem loucuras, até porque um erro agora pode ser problemático."
Bradesco reduz juro de cartão consignado
O Bradesco reduziu a taxa de juros de seu cartão de crédito consignado a aposentados e pensionistas e promete esquentar a disputa em um mercado altamente competitivo e em forte expansão. No ano passado, a indústria de cartões de crédito, que chegou a uma base de 92 milhões de plásticos emitidos, movimentou R$ 181,1 bilhões, um crescimento de 20,4% em relação a 2006 - em quatros anos, esse mercado mais que dobrou. No Bradesco, o faturamento com cartões de crédito e de loja (private label) - cerca de 27 milhões de unidades - cresceu 50,6%, para R$ 36,9 bilhões.
Segundo o diretor da Bradesco Cartões, Marcelo Noronha, o banco já oferecia o cartão consignado, batizado de CredMais INSS, mas decidiu intensificar o esforço de venda do produto a partir das mudanças nas regras para o consignado no início de janeiro, ampliando a distribuição do produto para toda a rede de agências, incluindo o BMC e, agora, reduzindo o juro de 3,70% (o máximo permitido na modalidade) para 2,64%, o teto estabelecido no crédito consignado tradicional.
Noronha diz que a redução do juro, para igualar as condições do cartão à modalidade tradicional, tornará a operação mais custosa para o banco, por conta do processamento das compras e faturas. "Decidimos que vamos reduzir nossa margem de lucro", diz. "A competição no mercado de cartões está grande. Somos líderes no segmento corporativo e de alta renda. Seremos líderes também na baixa renda", afirma.
O CredMais INSS é uma das apostas do banco. O Bradesco já emitiu cerca de 30 mil cartões, mas tem potencial de chegar a 5 milhões, levando em conta que esse é o número de aposentados que recebem seus benefícios pelo banco. Para Noronha, o cartão consignado tem a vantagem da flexibilidade. Ao fazer compras, explica, dependendo da data de pagamento do cartão, o portador pode ter até 55 dias para quitar o débito, sem juros, ou rolar a dívida com o juro mais baixo. O Bradesco também não cobra taxa de emissão do cartão.
Em janeiro, o limite de comprometimento da renda no crédito consignado tradicional foi reduzido de 30% para 20%. Por outro lado, 10% dos rendimentos dos aposentados podem ser direcionados para a opção de empréstimo consignado por cartão de crédito.
Bradesco lucra R$ 1,8 bi no trimestre
O Bradesco, maior banco privado brasileiro, registrou lucro líquido de R$ 5,82 bilhões entre janeiro e setembro deste ano; no terceiro trimestre, o ganho foi de R$ 1,81 bilhão.
O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, explicou porém que o resultado inclui eventos extraordinários como a amortização de R$ 631 milhões pela compra do BMC em fevereiro (operação que foi autorizada pelo Banco Central no terceiro trimestre). Excetuando esses eventos, o lucro líquido em nove meses é de R$ 5,36 bilhões e no terceiro trimestre, de R$ 1,85 bilhão. Considerando os resultados ajustados, o crescimento foi de 13% em um ano, e de 2,7% no trimestre (ante o segundo trimestre deste ano).
O resultado recorde foi mais uma vez impulsionado pelo crescimento do crédito. O Bradesco vem conseguindo compensar a queda dos juros e dos ganhos com operações de tesouraria pelo aumento dos volumes, observou Milton Vargas, diretor de relações com investidores do banco. Na comparação anual (janeiro a setembro), a margem financeira ajustada com juros passou de R$ 13,2 bilhões para R$ 14,4 bilhões, sendo que o aumento do volume garantiu um acréscimo de R$ 3 bilhões, compensando a perda de R$ 1,75 bilhão com a queda dos juros.
Para Vargas, o controle da inadimplência também explica o resultado: os atrasos acima de 90 dias caíram de 3,6% nos últimos três trimestres para 3,4% entre julho e setembro últimos. Outro ponto destacado pelo executivo foi o ganho de eficiência, que atingiu 41,8%.
O Bradesco continua apostando na expansão do crédito para manter seus ganhos nos próximos trimestres: para o executivo, no final do ano que vem o volume deve alcançar 38% do PIB. "O banco vem registrando aumento acima da média do setor, e ainda assim poderia ampliar sua carteira em R$ 78 bilhões sem comprometer seu índice de alavancagem atual, que está em 16,9%, bem acima do mínimo de 11% exigido pelo BC", diz Cypriano.
A carteira total do banco cresceu de R$ 110,3 bilhões em 30 de setembro do ano passado para R$ 140,1 bilhões neste (o volume inclui fianças, avais e recebíveis de cartões), com destaque para operações para pequenas e médias empresas, que subiram 33,6% no período, e pessoas físicas, que cresceram 28,5% em um ano.
Os empréstimos imobiliários tiveram arrancada surpreendente: segundo Cypriano, em outubro o banco havia cumprido a meta para o ano todo, de R$ 3 bilhões em novos financiamentos; para 2008, a meta é emprestar outros R$ 4 bilhões. Para as pessoas físicas, a maior aceleração se deu na concessão de avais e fianças, seguida pelos negócios com cartões de crédito. No trimestre, o destaque ficou com o crédito consignado, que cresceu 25%
Bancos vivem "dança das cadeiras"
O aquecimento dos negócios no mercado financeiro está aumentando o grau de rotatividade entre executivos de bancos, cada vez mais ávidos para contratar bons profissionais e tirá-los da concorrência. Ontem, a Sadia anunciou João Rabêllo, que acaba de sair da presidência do Banco Fibra, como novo presidente do seu banco Concórdia (leia mais sobre o novo banco nesta página). O Fibra, por sua vez, está contratando Pedro Meloni, que foi vice-presidente do BankBoston, comprado em maio do ano passado do Bank of America pelo Itaú por mais de US$ 2 bilhões. Meloni será um dos executivos nomeados pelo IFC para o Conselho de Administração, que recentemente adquiriu 8% do capital do Fibra.
Em julho, o banco já havia levado Osias Brito, ex-Unibanco, para o cargo de vice-presidente de relações com investidores, cargo que também exercia no emprego anterior. Jaime Pinheiro, ex-dono do BMC - vendido em fevereiro ao Bradescopor R$ 800 milhões - contratou Luiz Claudio De La Rosa, ex-diretor do Banco Pine, como principal executivo da sua recém-criada empresa de gestão de patrimônio. De La Rosa era a segunda opção de Pinheiro - a primeira era sua filha Andréa, a responsável pela operação do BMC - mas ela tem que ficar no Bradesco por pelo menos dois anos. Este, por sua vez, deve anunciar em breve o novo presidente do BMC, vindo dos seus quadros - Andréa continuará como vice. O negócio de compra foi autorizado pelo Banco Central há dez dias.
O Pine é controlado por Norberto e Nelson Nogueira Pinheiro, irmãos de Jaime Pinheiro - que em 1996 comprou deles a parte que tinham no BMC. O Pine foi o primeiro a puxar as aberturas de capital dos bancos médios na Bolsa, obtendo em março R$ 517 milhões. O Fibra entrou na fila no final da semana passada. Rabêllo não estava disponível para conceder entrevistas ontem, mas segundo comenta-se no mercado a entrada do IFC levou a uma reorganização da estrutura do banco, com a qual Rabêllo não concordou - ele teria que dividir a presidência com Brito, que ficaria com a parte não-comercial do banco. "Uma estrutura de duas cabeças com o mesmo poder comandando um banco é comum na Alemanha, mas aqui seria complicada", disse o executivo de um banco concorrente, que preferiu não se identificar.
Com a saída de Rabêllo, o Conselho de Administração e o Comitê Executivo serão presididos por um dos sócios majoritários, Ricardo Steinbruch. A vice-presidência do Comitê está dividida entre Brito e Maércio Soncini, Márcio Ronconi de Oliveira e Cassio von Gal. A nova empresa de Jaime Pinheiro deve começar com ativos de cerca de R$ 1 bilhão. A maior parte vem dos R$ 600 milhões em ações do Bradesco que recebeu como pagamento pelo BMC - os R$ 200 milhões restantes serão pagos em dois anos, dependendo do desempenho do BMC. Há ainda ativos do BMC que o Bradesco não quis, mais os recursos das empresas do grupo.
kicker: Grau de rotatividade dos executivos aumenta e já chega a instituições de médio porte como o Pine, Fibra e BMC
Venda da Serasa inflaciona lucros
A venda da Serasa para a Experian no apagar das luzes do segundo trimestre do ano - o anúncio foi feito em 26 de junho e o pagamento, no dia 29 - significou ganhos extras para Bradesco, Itaú e Unibanco, os ex-sócios majoritários da maior empresa de informações financeiras da América Latina. Os três bancos divulgam seus resultados na semana que vem, mas o Real já informou a apropriação de R$ 83 milhões pela sua parte, que era minoritária.
Com esse reforço, o lucro do Bradesco deve atingir R$ 2,2 bilhões entre abril e junho, o do Itaú, R$ 2,1 bilhões e o do Unibanco, R$ 900 milhões, segundo projeções da Austin Rating. Para os analistas da Fator Corretora, o lucro do Bradesco no período deve atingir R$ 1,8 bilhão - sem considerar aí a aquisição do BMC, nem o impacto da venda da Serasa (aproximadamente R$ 400 milhões, antes de impostos). "Esperamos boa evolução do resultado de intermediação financeira, com importante contribuição das atividades de tesouraria, e crescimento de 5,2% das operações de crédito".
Para o Itaú, o Fator espera lucro líquido de R$ 1,97 bilhão, também excluído o ganho com Serasa (de R$ 480 milhões). A carteira de crédito do banco deve apresentar crescimento de 4,8%, em relação ao primeiro trimestre. Para o Unibanco, a expectativa é de lucro líquido de R$ 614 milhões no segundo trimestre, (também sem a Serasa, que rendeu ao banco R$ 429 milhões); e um crescimento de 4,3% do crédito.
Para o Banco do Brasil (BB) o ganho deve alcançar R$ 1,7 bilhão, segundo a Austin; e R$ 1,4 bilhão segundo o Fator - sem considerar os R$ 480 milhões nas despesas de pessoal do trimestre, em virtude do Plano de Afastamento Antecipado (PAA) para funcionários.
"Excluindo ganhos e despesas extraordinários, ainda assim os lucros do semestre devem ficar em média 10% acima dos obtidos no mesmo período do ano passado", prevê Erivelto Rodrigues, presidente da Austin. Ele atribui a alta à redução das provisões dos bancos para créditos de difícil liquidação, uma vez que a inadimplência caiu. No começo do ano passado, os balanços sofreram impactos negativos do aumento dessas provisões. Além disso, lembra, as carteiras de crédito continuam mostrando crescimento forte, principalmente nas linhas para o varejo e baixa renda, onde as margens são mais altas.
"Os dados de crédito do período reforçam a perspectiva de crescimento saudável das carteiras de crédito dos bancos no segundo trimestre", diz o relatório do Fator.
Os balanços já divulgados até agora mostram ambas as tendências - a manutenção do ritmo de aumento das carteiras de crédito a pessoas físicas e a estabilização da inadimplência. No caso do Banco Real, por exemplo, a inadimplência caiu de 5,7% para 5,4% e os empréstimos para pessoas físicas aumentaram 27%. No Santander, a inadimplência passou de 5,1% para 5,2% e o crédito a pessoas físicas cresceu 30%. Ambos mostraram aumento do lucro em um ano: 83,7% no caso do Real e 104,1% no do Santander, Entre os bancos médios, BMG e Pine também dobraram seus ganhos no semestre. O Daycoval, que divulgou resultados ontem, foi outro que mostrou aumento importante, de 164%.
BMG vai vender 40% do capital, diz vice
O banco mineiro BMG está negociando a venda de uma participação entre 30% e 40% do seu capital "a uma organização poderosa". A informação foi dada a este jornal pelo vice-presidente Márcio Araújo, durante a festa promovida pela instituição para comemorar o lucro do trimestre, que alcançou R$ 253 milhões e superou em 104% o resultado do mesmo período de 2006. "Temos que aproveitar esse bom momento", declarou. O executivo não informou o comprador nem o valor do negócio. Mas o primeiro nome da lista é o Itaú, que tem a preferência assegurada por contrato de cessão de carteira de crédito consignado assinado em 2004, e que vence no final deste ano. Ontem o Itaú disse, por meio da sua assessoria de imprensa, que "não comenta rumores de mercado". Mas o próprio Roberto Setubal, presidente do Itaú, disse este ano em entrevista a jornalistas para divulgação do balanço que tinha interesse no BMG, caso os acionistas decidissem vender o banco. O valor do negócio pode chegar a R$ 1,4 bilhão, considerando o padrão dos últimos fechados.
Em janeiro o Bradesco, principal concorrente do Itaú, comprou o BMC, principal concorrente do BMG no negócio de crédito consignado. O Bradesco pagou cerca de R$ 800 milhões pela totalidade do banco, que tinha em dezembro patrimônio líquido de R$ 285 milhões. O BMG tinha em 30 de junho R$ 1,17 bilhão - considerando a mesma relação, o Itaú pagaria algo como R$ 1,4 bilhão por 40% do BMG.
Exército de "pastinhas" A festa do BMG no Alta Vila, um dos mais sofisticados locais de eventos na capital mineira, foi em homenagem aos seus 400 correspondentes bancários e boa parte dos 30 mil agentes, também conhecidos como "pastinhas", espalhados pelo País. Segundo o presidente da instituição, Ricardo Guimarães, esse exército foi o grande responsável pelo lucro líquido do banco no semestre. Graças a essa aliança essa força de trabalho terceirizada e autorizada pelo Banco Central, o BMG hoje tem quase três milhões de clientes e 2,8 mil lojas em todo o país. Até o final do ano serão inaugurados mais 1,8 mil pontos de atendimento.
BMC busca opções de capitalização para crescer
São Paulo - O Banco BMC estuda alternativas de se capitalizar para financiar a manutenção do crescimento das suas operações de crédito. "O rating A3.br (equivalente a A-, em moeda local) dado nesta semana pela empresa de classificação de risco Moody´s vai permitir ao banco acesso a outros investidores (menos avessos a riscos), o que será fundamental para impulsionar nossos planos de captação nos mercados interno e externo", afirma Andrea Pinheiro, vice-presidente do BMC. Segundo ela, entre as opções de capitalização em análise, estão a emissão de dívida subordinada (que entra como capital no patrimônio do banco) e a abertura de capital. O índice de alavancagem do banco (ativos ponderados pelo risco, em relação ao patrimônio - conhecido como índice de Basiléia) está em 16% - o mínimo aceito pelo Banco Central é 11%.
Andrea acredita que em 2007 o banco terá fôlego para continuar crescendo. Em 2006, até o final de outubro, a carteira de crédito para empresas médias (um dos três focos de atuação do banco) estava em R$ 492 milhões - a previsão é terminar o ano em R$ 560 milhões, 56% acima do que era em dezembro último. A produção de financiamentos de veículos, que foi de R$ 227 milhões em 2005, deve fechar 2006 em R$ 315 milhões - um aumento de 39%; e a de crédito consignado vai subir 36%, dos R$ 700 milhões produzidos no ano passado para R$ 950 milhões em 2006.
BMC fará emissão de até US$ 100 milhões
O Banco BMC planeja lançar pelo menos US$ 20 milhões em bônus no mercado internacional, disse um executivo da instituição à DowJones. A curva de rendimento para o papel, com prazo de três anos, ainda não foi acertada, disse a fonte. A Fitch Ratings classificou com a nota B- a emissão, com perspectiva estável. O banco obteve permissão da diretoria para lançar até US$ 100 milhões, o que indica que a captação pode superar a meta inicialmente prevista.
Ainda de acordo com a DowJones, o frigorífico Friboi, maior exportador de carne brasileiro, contratou o JPMorgan e o ING como líderes da sua emissão de bônus com prazo de cinco anos. Apresentações na Ásia estão em curso; em seguida, os executivos seguem para a Europa. A Moody''s classificou a emissão com B1. O Bradesco também pretende voltar ao mercado internacional de bônus, segundo disse à Bloomberg seu vice-presidente, Décio Tenerello. No ano passado o volume captado foi inferior aos US$ 3 bilhões de 2004; agora, pode crescer.
FIDC BMC tem rating definitivo
Banco BMC São Paulo
O fundo de recebíveis do BMC, com lastro em contratos de financiamento de veículos, recebeu rating definitivo "Aaa.br" da Moody’s América Latina. Trata-se da primeira série do FIDC BMC Premium - Veículos. As cotas seniores totalizam R$ 100 milhões. O fundo conta ainda com cotas subordinadas, que devem representar no mínimo 15,5% do patrimônio e vêm sendo subscritas e integralizadas pelo próprio banco.
A Série 2005-1, a primeira do programa multisérie do fundo, possui prazo de 30 meses e 18 amortizações mensais de cotas (incluindo principal e rendimento), depois de um período de carência de 12 meses. Segundo relatório da agência de rating, o fluxo de caixa advindo do pagamento dos contratos de financiamento de veículos pelos mutuários será utilizado na reconstituição das contas de reservas e na aquisição de mais direitos creditórios elegíveis.
A Moody’s destaca que o rating foi baseado em fatores como o suporte de crédito mínimo de 15,5%, proporcionado pelas cotas subordinadas; o excesso de spread disponível, a fim de cobrir riscos de pré-pagamento, despesas e comissões da operação, além de perdas; e uma reserva de caixa para cobrir riscos de liquidez em casos de inadimplências. Segundo o analista da Moody’s, Roberto Watanabe, o suporte de crédito na forma de um "excesso de spread" representa um total disponível de aproximadamente 25% ao ano. Enquanto houver cotas em circulação, o fundo deverá manter um excesso de spread mínimo de 4% ao ano.
A capacidade do Banco Itaú de atuar como agente custodiante da operação e a estrutura jurídica do fundo, que inclui a cessão em definitivo pelo BMC dos direitos creditórios ao fundo, também foram levados em conta na análise.
O fundo pode recorrer a operações com instrumentos derivativos ("swaps") com o objetivo de mitigar eventuais riscos de descasamento de taxas entre os direitos creditórios de titularidade do fundo e a rentabilidade das cotas seniores a serem emitidas.
O banco BMC é uma instituição financeira de médio porte especializada na concessão de empréstimos pessoais e financiamentos de veículos, além de atuar na concessão de empréstimos a empresas de porte médio no Brasil. Workshop
A Uqbar Educação e Informação Financeira Avançada realiza no dia 23 de novembro, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), um workshop sobre a combinação de duas tecnologias financeiras: securitização e derivativos de crédito. O objetivo é discutir os passos necessários para uma conciliação positiva destas duas tecnologias no mercado nacional. Entre os temas, destacam-se: principais conceitos, securitização sintética, marco regulamentar e visão do investidor.
BMC amplia rede para a oferta de consignado
São Paulo, 17 de Março de 2005 - Para dar vazão ao reforço de "funding" que ganhou no acordo de cessão de R$ 2 bilhões em créditos para o Bradesco, o Banco BMC está ampliando a sua distribuição. A instituição selou parceria com a Rede Fácil, empresa gestora de pontos no varejo que atuam como correspondentes bancários, para oferta do empréstimo com desconto em folha de pagamento a aposentados e pensionistas do INSS. De início, serão 95 pontos de venda, situados em 28 municípios do Vale do Paraíba, em São Paulo.
"Nos convênios com órgãos públicos, prefeituras, Exército, Marinha ou Aeronáutica, o banco sabe onde o cliente está, mas na consignação do INSS não, porque os aposentados - estima-se que sejam 19 milhões - estão espalhados pelo país", diz o executivo de Governo e Consignação do BMC, Alex Sander Gonçalvez. "A rede de distribuição é fator fundamental para o sucesso ou não de uma instituição financeira nesse campo."
A expectativa do executivo é de que ao cobrir uma região como o Vale do Paraíba, com cerca de 4 milhões de habitantes, o BMC atinja a produção prevista de R$ 60 milhões mensais no acordo com o Bradesco, válido por três anos. Por enquanto, os desembolsos situam-se entre R$ 30 e R$ 35 milhões. Toda a rede de distribuição do BMC é terceirizada e até aqui era composta por 150 correspondentes em todo o Brasil.
Segundo o presidente da Rede Fácil, Fernando Cabral, só nos pontos conveniados de municípios do Vale do Paraíba há um fluxo cativo de 800 mil pessoas por mês que realizam algum tipo de transação junto aos lojistas parceiros. A expectativa do executivo é de, num prazo de seis meses, produzir R$ 10 milhões mensais em operações de crédito consignado para o Banco BMC. "A rede mantém contratos com concessionárias de serviços públicos e em alguns deles é a recebedora prioritária das contas dos consumidores residenciais, o que gera um fluxo quase que compulsório para esses pontos", diz Cabral. A Bandeirante Energia, que atua na região do Alto Tietê e Vale do Paraíba, por exemplo, cortou o convênio com as lotéricas e agora concentra a arrecadação pela Rede Fácil. Na lista de empresas conveniadas ainda estão Brasil Telecom, Cerj, CEB, CPFL, CTBC, Elektro, Embratel, Ligth, Eletropaulo Metropolitana, Grupo Rede, Piratininga, Sabesp, Telefônica e Telemar, entre outras.
Na briga pelo consignado de INSS vários namoros tiveram curso no mercado. Primeiro, envolvendo nomes de peso como Bradesco, Itaú e HSBC que se associaram a bancos de menor porte, especializados neste nicho. Alguns vão tentar o vôo solo como o Unibanco. O ABN Amro Real anuncia hoje um acordo de compra de carteira de consignação. Mas mesmo entre as instituições pequenas, as associações têm sido bem-vindas.
O Banco BGN, do Grupo Queiroz Galvão, firmou parceria com o Lemon Bank para oferta de crédito na rede de correspondentes em Pernambuco e São José do Rio Preto, avançando em seguida para outras cidades do Sudeste e Nordeste. "O foco será em INSS em função da capilaridade", diz o diretor-geral do Lemon, Michael Esrubilsky. A expectativa é gerar, em três anos, R$ 700 milhões para o BGN.
BMC obtém lucro de R$ 13 milhões
O Banco BMC encerrou o primeiro semestre de 2004 com lucro líquido de R$ 13,1 milhões, um crescimento de 68% sobre os ganhos apurados no mesmo intervalo do ano passado. Com tal desempenho, a instituição garantiu aos seus acionistas retorno anualizado de 11,4% sobre o patrimônio líquido de R$ 229,9 milhões. Os ativos de crédito cresceram 40,3% em relação a junho de 2003 e 15% sobre a base de dezembro, chegando a R$ 1,2 bilhão. Para o segundo semestre, a expectativa da vice-presidente do banco, Andréa Pinheiro, é obter expansão adicional de 17%.
Segundo ela, a reorientação do BMC para o "middle market", segmento voltado para o atendimento às médias empresas, mudou o mix do portfólio (61,4% dirigido a empresas e 38,6% às pessoas físicas). Com o ajuste no timão, houve aumento mais acentuado da carteira de crédito no nicho de pessoa jurídica, com expansão de 56% em 12 meses e 32% entre janeiro e junho, com R$ 735 milhões. Deste portfólio, 42%, ou R$ 310 milhões, são representados por operações garantidas por recebíveis. "A estratégia visa à pulverização do risco e dá preferência a operações com garantias de alta liquidez", afirma.
Em contrapartida, os empréstimos destinados às pessoas físicas aumentaram menos: 20,8% entre junho de 2003 e junho de 2004 e apenas 7% no semestre, pela desistência do BMC de operar no crédito ao consumo via balcão na Credicerto ou no financiamento ao lojista, concentrando-se nas carteiras de consignação com desconto em folha de pagamento e financiamento à compra de veículos. A carteira distribuída pela promotora de vendas totalizava R$ 464 milhões ao fim de junho.
Entre um exercício e outro, o resultado da intermediação financeira caiu 27,6%, totalizando R$ 67,4 milhões, em função da queda dos juros na ponta, após a redução de mais de dez pontos percentuais da Selic, a 16% ao ano. "Houve aperto dos spreads", lembra Andréa.
Os ativos totais tiveram um incremento de 49,4%, a R$ 2,2 bilhões, enquanto os depósitos cresceram 30,2%, para R$ 1,0 bilhão. O índice de Basiléia estava em 13,7%, acima dos 11% exigidos pelo Banco Central (BC). Segundo Andréa Pinheiro, a alavancagem sobre o patrimônio atual comporta a expansão orçada para a carteira em 2004. Mas com o intuito de reforçar a capitalização para o ano que vem, o BMC planeja a estruturação de um fundo de recebíveis. "O fundo está em fase de formatação e não deve vir a mercado antes de dezembro".