sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Banco Cruzeiro do Sul,11-3536-3414

A agência de classificação de risco Moody’s Investors Service rebaixou ontem alguns ratings atribuídos ao Banco Cruzeiro do Sul, instituição financeira sediada em São Paulo e especializada no segmento de crédito consignado. A revisão, informou, deve-se "às recentes mudanças nas dinâmicas de mercado e liquidez, que podem limitar consideravelmente a originação (novas concessões) de crédito do banco e as suas perspectivas de crescimento". A agência estima que a desaceleração econômica poderá afetar o segmento de consignado e afirmou que a revisão reflete ainda suas "preocupações sobre a sua posição de captação e liquidez, incluindo a concentração de vencimentos de dívida em moeda estrangeira em 2009, dada a dependência da instituição de fontes de captação mais voláteis".

Fausto Guimarães, diretor de relações institucionais do Cruzeiro do Sul, disse que a ação era esperada desde que a Moody’s colocou os ratings sob revisão, em 14 de outubro. O executivo ressalta que o rebaixamento não resulta de problemas de risco ou solvência do banco, e discorda do argumento da agência sobre a possibilidade de o banco vir a limitar consideravelmente novas concessões de crédito. "O banco vai continuar originando e tem hoje uma liquidez bastante boa para isso." Atualmente, o caixa da instituição está próximo de R$ 1 bilhão, observou Guimarães, que admite, entretanto, a redução de 35% no volume de novas concessões no terceiro trimestre. "A crise nos levou a fazer a lição de casa e preferimos montar um colchão de liquidez para enfrentá-la."

Com a crise de liquidez, o Cruzeiro do Sul voltou a intensificar a venda de carteiras de crédito a outras instituições financeiras (entre as quais a Caixa Econômica Federal, o Banco Nossa Caixa e bancos particulares) - ritmo que havia reduzido até setembro em função do tamanho adquirido após o IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) realizado no ano passado, que propiciou a manutenção dos ativos em carteira. Até o final de setembro, os negócios com cessões somaram R$ 1,35 bilhão e hoje totalizam R$ 2,55 bilhões. "E estamos trabalhando em novos acordos que deverão ser fechados em breve."

Um dos novos contratos prevê a cessão de R$ 90 milhões mensais de crédito consignado, por dez meses, e o executivo acredita que em 2009 o banco fará em torno de R$ 200 milhões mensais em originações, uma queda de mais de 30% comparativamente à média de cerca de R$ 300 milhões antes da crise. "Mas tudo é relativo ao tamanho do impacto da crise no País. Se tivermos condições de voltar aos níveis de captação anteriores, as operações voltam ao normal", afirma. As captações institucionais respondem por cerca de 35% do total do banco (R$ 4,64 bilhões em setembro), enquanto as de pessoa física e jurídica detêm 65%.

Para a Moody’s, com a cessão de carteira de ativos altamente líquidos "é provável que o balanço do Banco Cruzeiro do Sul encolha a um tamanho bem menor para se ajustar à disponibilidade de recursos, produzindo implicações diretas nos indicadores de rentabilidade. A rentabilidade, disse Guimarães, poderá ser afetada pelo menor ritmo de originação sob uma perspectiva de redução das captações, que, afirmou, voltam a se normalizar. O banco também tem reduzido despesas - cortou 173 funcionários - e conseguido repassar aumentos de custos para as taxas, mantendo os níveis de spreads, em torno de 10%, disse.

Os ratings

A Moody’s rebaixou o rating de força financeira de bancos para D de D+ , o rating global de depósito de longo prazo em moeda local para Ba2 de Ba1 e os ratings de dívida sênior em moeda estrangeira para Ba2 de Ba1 e de dívida subordinada para Ba3 de Ba2. Já a classificação de depósitos de longo prazo da instituição na escala nacional no Brasil foi para A1.br de Aa2.br. A agência ressaltou, contudo que o banco se encontra entre os quatro maiores originadores de crédito consignado do País e que acredita que há baixa probabilidade de deterioração da qualidade da sua carteira.