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Bradesco e Itaú, assumem negócios de pequenos e médios

Com a autorização do Banco Central publicada no último dia 20 de fevereiro no Diário Oficial da União, o Banco Gerador começará a funcionar no Recife a partir da segunda quinzena de março. O novo banco não terá agências. Atuará em crédito e investimentos para atender empresas familiares com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 250 milhões e oferecerá crédito consignado, com desconto em folha de pagamento, a funcionários de pequenas e médias empresas e de prefeituras do Norte e do Nordeste.

O diretor-executivo do Banco Gerador, Paulo Dalla Nora, diz que os grandes bancos só atendem empresas com faturamento acima de R$ 500 milhões, uma realidade distante do centro financeiro do País, no Sudeste. Mas essa demanda, segundo ele, continua crescente nas outras regiões e não vem sofrendo diretamente os impactos da crise financeira mundial. "O macroambiente não mudou o micro. A demanda continua sendo uma realidade e as empresas e pessoas físicas precisando de crédito", avalia o executivo, apontando outras áreas carentes nestes mercados que serão cobertos pelo Gerador. Entre elas, a emissão de debêntures, títulos de renda fixa, renda variável e as operações de fusões e aquisições. Neste último segmento, o Gerador será parceiro da Olímpia, uma butique de investimentos, com sede em São Paulo, cujos sócios são o americano Richard Reineir, ex-presidente do Merryll Linch no Brasil, e Eugênio Silva, ex-diretor do Itaú BBA. "Vamos aproveitar a ‘expertise’ deles na emissão de papéis e renegociação de passivos para fazer o que o mercado de São Paulo faz para as grandes corporações", diz.

Entre os alvos estão as usinas de açúcar e álcool que precisam de linhas de crédito para exportação. O projeto, pensado no final de 2007, sofreu pequenos ajustes em função da crise, apropriando-se das mudanças na economia. "Fechou-se a porta dos IPO, mas abriu-se a de reestruturação de passivos", diz Dalla Nora.

Rede pernambucana

A rede de relações dos sócios do Banco Gerador, os empresários pernambucanos Antonio Lavareda, Severino Mendonça, Paulo Sérgio Macedo e o próprio Paulo Dalla Nora, cultivada nas empresas que eles fundaram e mantém em Pernambuco com atuação em diversos Estados, é um dos ativos que irão impulsionar o novo banco. Com um investimento de R$ 24 milhões, dos quais R$ 4 milhões serão destinados à montagem do banco e o restante ao capital, os quatro sócios estão investindo como pessoas físicas e, fora Dalla Nora que detém a menor parte das ações (10%), e irá assumir a direção do banco, eles continuarão atuando em seus respectivos negócios.

O cientista político Antonio Lavareda permanece na MCI Consultoria, empresa de pesquisas e comunicação; Macedo fica no Grupo Nordeste, de vigilância privada; e Mendonça, na Serttel, empresa de tecnologia de trânsito. "A carteira de relacionamentos é um dos nossos principais ativos e isso é um diferencial que não havia mais em Pernambuco", diz Dalla Nora.

Grandes "players", como Bradesco e Itaú, assumem negócios de pequenos e médios. Uma nova rodada de reacomodação de terreno no sistema financeiro toma curso após o mercado assimilar a intervenção no Banco Santos. Instituições especialistas em crédito ao consumo, bem situadas no segmento de pequena e média rede, prosseguem como alvo dos grandes conglomerados. Só que desta vez, não só as compras aparecem como trampolim para os ganhos de escala e os atalhos também vêm pela aquisição parcial e programada de carteiras.

Só ontem, três acordos foram divulgados. O Banco Itaú Holding Financeira anunciou a compra do portfólio de veículos do Banco Intercap. O Banco BMC firmou contrato de cessão de R$ 2 bilhões em créditos para o Bradesco por três anos. O Banco BMG, depois de ter selado parceria com o Itaú na semana passada para a venda de até R$ 2,5 bilhões em operações com desconto em folha de pagamento por três anos, trouxe a público contrato de cinco anos firmado com a financeiraCetelem em novembro. A transação envolveu não só um parceiro estrangeiro - a subsidiária do gigante francês BNP Paribas -, como também prazo e volumes maiores: serão liberados R$ 6 bilhões por cinco anos.

As cessões de crédito são operações corriqueiras, usualmente feitas entre instituições de pequeno e médio porte, mais limitadas na alavancagem, e bancos maiores. São transações que ganham, porém, relevância num momento em que a liquidez se aperta para o setor que não conta com a disposição dos investidores institucionais para comprar Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) ou cotas de fundos de recebíveis. A diferença é que as últimas operações trazem prazos mais amplos e uma programação regular de desembolsos, vital para a expansão dos negócios.

"Precisávamos suprir a operação nova de INSS (de crédito em consignação para aposentados) com uma captação de longo prazo e havia uma preocupação com Basiléia", diz a vice-presidente do BMC, Andréa Pinheiro, referindo-se ao índice que mede o capital necessário para fazer frente aos ativos ponderados por riscos. "Teríamos dificuldades para crescer em outras carteiras. O funding do Bradesco é longo, vem casado com as nossas operações e aumenta a rentabilidade sem afetar Basiléia - que deve virar o ano em 15%, acima dos 11% exigidos pelo BC.

O acordo com o Bradesco prevê a liberação de R$ 50 milhões mensais por 36 meses. Com uma carteira que deve fechar o ano na casa dos R$ 350 milhões - sendo R$ 150 milhões em operações com desconto em folha de pagamento -, o fôlego novo vai dar ao BMC condições de crescer na carteira de "middle market". "O banco pretende dobrar o portfólio de recebíveis", diz Andréa. Segundo a executiva, o banco observou um movimento de saque alguns dias após a intervenção no Banco Santos, especialmente dos fundos de pensão, mas nada expressivo, já que metade dos depósitos vem de pessoas físicas e jurídicas. "Ajudou muito o fato de o banco ter captação pulverizada e não depender tanto de institucional."

As conversações do BMG com a francesa Cetelem iniciaram há mais de um ano. Duas tranches de R$ 100 milhões já chegaram aos caixas do banco e serão mais R$ 100 milhões mensais pelos próximos 58 meses. "Os bancos de pequeno e médio porte estão tentando obter recursos com maior segurança e essa parceria vai neste sentido", diz o diretor-geral da Cetelem, Georges Régimbeau. "É um momento que oferece oportunidades, mas que têm que ser avaliadas com muito critério."

No Brasil, a Cetelem já participa, desde 2000, de uma "joint venture" com o Carrefour na administradora de cartões da rede de varejo e mantém outras parcerias em cartões "private label" com lojistas na distribuição da bandeira Aura que trouxe para o País. No ramo financeiro, este é o segundo acordo sedimentado - o outro é com o Banco Cruzeiro do Sul, emissor do Aura. Em dois anos de atividade própria, a carteira chega a R$ 400 milhões. Com o acordo com o BMG, os investidores franceses já contrataram o tamanho e a velocidade da expansão no mercado brasileiro."A Cetelem prioriza o Brasil com um dos mercados focos para o seu desenvolvimento e esta parceria traz condições concretas", assinala Régimbeau.

Para o vice-presidente do BMG, Roberto Rigotto, o "funding" programado e de longo prazo se apresenta como uma feliz tendência para o setor. "Os grandes bancos entenderam que se diversificarem suas carteiras vão crescer em todos os sentidos: tamanho, custo de funcionários e o interesse que se mostra não é pela aquisição e sim pela expertise." No primeiro trimestre, a previsão é de que o primeiro produto da parceria dupla já esteja no mercado, com o cartão BMG com bandeira Aura.

Veículos usados

O Itaú, ao comprar as operações do Intercap, pontua a presença no ramo de veículos usados, com mais de sete anos. A transação envolve a aquisição, em 31 de janeiro, da carteira de R$ 184 milhões (valor indicativo), a promotora de vendas por R$ 65,5 milhões, uma base de 178 mil clientes e uma rede de 1,1 mil lojistas concentrados no interior de São Paulo. "Este é o melhor mercado em liquidez para os financiamentos", diz o diretor executivo do Itaú, Marco Bonomi. "Estamos comprando a capacidade de gerar negócios do Intercap, numa operação com níveis de inadimplência parecidos com o nosso (em 2%)." Com uma carteira de veículos de R$ 5,3 bilhões, a estimativa é de que o negócio agregue mais R$ 500 milhões ao portfólio em um ano.

O Banco Intercap, por sua vez, deixa o negócio de financiamento de veículos pelo menos pelos próximos cinco anos, como está no contrato, e vai se dedicar à corretora do grupo, associada à BM&F. Segundo o diretor Renato Diniz Junqueira, a decisão de se desfazer da carteira de crédito foi tomada no início do ano, com a contratação de um banco de investimento como "adviser", não tendo relação com a intervenção no Banco Santos. "Saímos para não ter que recorrer aos (investidores) institucionais", diz. "O banco tem uma estrutura de gestão e financiamento muito boa, que numa instituição grande tem valor.

"kicker: Especializado em crédito em consignação, o BMG faz novo acordo: agora, com a Cetelem.