sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Banco Bonsucesso, consignado

O Banco Bonsucesso, que teve ontem seus ratings revisados para possível rebaixamento pela Moody’s Investors Service , recebeu a informação sem se abalar, embora tenha considerado precipitada a decisão da agência. "Temos bons ratings, um A (medida de classificação) a menos não vai afetar a nossa capacidade", afirma o presidente da instituição, Paulo Henrique Bentagna Guimarães, observando que há um aperto de liquidez, fruto especialmente da falta de confiança e segurança, mas que as captações da instituição prosseguem sem problemas.

Guimarães ressalta que o banco está costurando dois acordos de R$ 1,5 bilhão, a serem concretizados este mês, que devem produzir cerca de R$ 150 milhões de funding para o banco por mês. São acordos operacionais em que o banco deverá originar créditos consignados para as instituições envolvidas, que Guimarães prefere manter em sigilo. O Bonsucesso no mês passado, ápice da crise do subprime, também fechou outro acordo operacional com o Banco WestLB, de R$ 480 milhões, por 12 meses, o que significa que mensalmente a instituição se compromete a comprar R$ 40 milhões de crédito originados pelo Bonsucesso, explica.

Conforme Guimarães, a originação e cessão de carteiras de crédito são estratégia de negócio do banco desde 2004 e atualmente respondem por aproximadamente 70% do seu funding. "Trabalhamos com quase todos os bancos", afirma, citando entre os maiores os Banco do Brasil, Bradesco, Banco Itaú e Banco Nossa Caixa. Nos últimos dois meses, o Bonsucesso já realizou R$ 250 milhões em cessão de carteiras, e sua média mensal está situada entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões.

Guimarães afirma que momento de crise é também de oportunidade e que o aquecimento dos negócios do banco neste terceiro trimestre resultará em um lucro dobrado em comparação ao primeiro semestre inteiro, alcançando R$ 14 milhões entre julho e setembro. O banco tem patrimônio líquido de R$ 300 milhões e ativos de R$ 1,35 bilhão.

Os recursos captados por meio de cessão de carteiras de crédito e acordos operacionais são destinados para ampliar os negócios do banco no segmento de consignado. Segundo Guimarães, a carteira de crédito do banco está hoje em R$ 1,35 bilhão, sendo que R$ 1 bilhão são de consignado e, desses, R$ 450 milhões, estão no balanço. O executivo diz, entretanto, que as captações por meio de certificado de depósitos bancários, que sustentam especialmente a carteira de middle market do banco, foram afetadas pela crise, o que tem ocasionado redução dos empréstimos do Bonsucesso para as pequenas e médias empresas. "Quando o cenário melhorar, voltamos a emprestar."

Itaú compra

O Itaú informou ontem que comprou carteiras de crédito de outras instituições, seguindo os incentivos proporcionados pelas últimas medidas do Banco Central.