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O Daycoval 11-3536-3414

O mercado brasileiro de crédito ficará estável neste quatro trimestre, já que o aquecimento típico do final de ano poderá compensar a queda verificada nas novas concessões entre o final de outubro e o início de novembro, provocada pelo acirramento da crise financeira. Entretanto, no primeiro trimestre, normalmente mais fraco para o segmento, o volume de negócios deverá reduzir drasticamente, prosseguindo assim entre abril e junho para voltar a normalidade somente na segunda metade de 2009, quando então o mercado se recupera e encerra o ano com crescimento em torno de 10%. A previsão, cinco pontos percentuais abaixo da média das estimativas de outros especialistas do setor, é de Morris Dayan, diretor-executivo e de relações com investidores do Banco Daycoval, sediado em São Paulo e especializado no segmento de middle market.

O desempenho da carteira de crédito da instituição será semelhante, acredita, com crescimento estável neste último trimestre, ante o terceiro, queda nos negócios no primeiro semestre e recuperação a partir de junho de 2009. Dayan, contudo, não arrisca uma previsão para os números do banco. Diz apenas que o funding, hoje mais escasso por conta da crise, é o grande limitador da capacidade de expansão do mercado e da empresa no crédito, já que a demanda existe.

O Daycoval fechou setembro com estoque de crédito de R$ 4,62 bilhões, alta de 3% em relação ao segundo trimestre e de 63,7% ante igual mês de 2007. O empresário afirma que a carteira avançou a cerca de R$ 4,7 bilhões em meados do terceiro trimestre, quando começou a cair até outubro. O banco preferiu manter a liquidez a aumentar os empréstimos. No mês passado, voltou à estabilidade. Já as operações de crédito do sistema financeiro nacional com recursos livres e direcionados saltaram 37,3% em 12 meses, a R$ 850,34 bilhões em outubro, conforme o Banco Central.

Ante essa evolução, Dayan, cuja expectativa é de um Produto Interno Bruto maior entre 1% e 2% em 2009, não enxerga suas projeções como conservadoras. "Poderia ser mais dramática, se fosse daqui a dois anos." Na sua avaliação, o Brasil vem de apenas dois anos de um crescimento bom, então o choque será menor porque a população está menos alavancada: 29% da renda familiar está comprometida com dívidas hoje. O executivo compara, olhando pela vidraça da sede do banco, na avenida Paulista: "Em 2005, eram cinco prédios vazios na Paulista. Hoje, todos estão ocupados, mas a expansão não foi tão forte para termos canteiros de obras aqui. Se tivéssemos prédios em construção talvez em dois anos eles estariam pela metade". Mas, pelos bons fundamentos da economia, o País voltará a se recuperar em 2010 em todos os setores, acredita.

Até lá, os níveis de inadimplência devem se deteriorar por conta da desaceleração econômica, que impede investimentos e poderá trazer o fantasma do aumento do desemprego. O banco tem elevado o provisionamento, de 2,5% do total da carteira no segundo trimestre para 3,4% no terceiro, porém com a alteração do cenário para melhor, os números voltarão ao normal, diz.

Carlos Dayan diz que neste momento de crise há oportunidades para bancos de médio e pequeno portes, como o Daycoval. "As empresas não conseguem recursos no exterior, os bancos grandes deram uma parada e quem consegue atender cresce." O banco tem caixa disponível de R$ 1,2 bilhão e ao final de setembro as captações ficaram próximas de R$ 4 bilhões: 55% de depósitos a prazo. A instituição, que vinha aumentando os negócios no varejo - no terceiro trimestre de 2007 respondeu por 22% da carteira e em igual fase deste ano, 39% -, foca agora apenas no middle market e no consignado e trabalha para que o estoque de credito às empresas volte a deter 60% do total. Com isso, o financiamento a veículos perde espaço. "As vendas da indústria caíram e acompanhamos isso", afirma.

O superintendente de relações com investidores, Carlos Lazar, destaca que, por causa da crise, as ações do Daycoval se desvalorizaram, mas voltaram a subir. "Mas ainda estão muito aquém. O valor não condiz com a performance e com as expectativas de crescimento do Daycoval." Os papéis fecharam ontem cotados a R$ 5,29, aumento de 0,76% no dia e de 7,95% no mês.

O Banco Daycoval pretende incrementar a carteira de crédito em 25% neste ano e chegar a dezembro com um portfólio superior a R$ 800 milhões. Com ativos totais de R$ 1,212 bilhão, a instituição da família libanesa Dayan - originada numa DTVM em 1968 e transformada em banco em 1989 - tem folga na alavancagem para alcançar tal objetivo. Segundo o diretor-comercial Carlos Moisés, o banco encerrou 2004 com um índice de Basiléia de 30%, ante os 11% exigidos pelo BC, o que permite um crescimento desta ordem sem a necessidade de um reforço na capitalização.

No ano passado, os saldos emprestados tiveram expansão de 40,23%, a R$ 651,679 milhões. O lucro líquido aumentou 12,1%, para R$ 70,115 milhões, apesar de o resultado bruto da intermediação ter caído 0,28%, para R$ 135,263 milhões. Com o incremento nas receitas com prestação de serviços, de outras receitas operacionais e redução das despesas tributárias, o resultado operacional subiu 10,6%, para R$ 86,900 milhões. "O banco atingiu todas as metas: ampliou a carteira comercial, os depósitos e os resultados", disse Moisés.

De acordo com o executivo, o Daycoval saiu ileso da turbulência que atingiu o segmento de pequena e média rede após a intervenção do Banco Central (BC) no Banco Santos. "Foi um momento positivo, pois o mercado conseguiu enxergar a diferença entre as instituições", disse Moisés. "Bancamos com capital próprio o crédito e temos caixa para pagar o depósito de terceiros."

No ano passado, os depósitos cresceram 6,47%, a R$ 530,429 milhões. Metade da carteira é formada por investidores institucionais e a outra fatia está dividida entre pessoas físicas e jurídicas.

Especializado no segmento de pequenas e médias empresas com uma carteira com cerca de 2 mil clientes, o Daycoval ensaia outros vôos e neste ano também começa a enveredar pelo crédito com desconto em folha de pagamento para o funcionalismo, trabalhadores da iniciativa privada e aposentados e pensionistas do INSS.

São Paulo, 24 de Outubro de 2006 - O Banco Daycoval concluiu ontem a captação de US$ 120 milhões de bônus no mercado internacional. Segundo Morris Dayan, diretor do banco, a intenção inicial era levantar U$$ 30 milhões, mas a demanda chegou a US$ 160 milhões. Os papéis, de três anos, saíram a uma taxa de 7,75% ao ano. O coordenador da operação foi o Banco Votorantim.

"O Brasil está em alta lá fora. O mercado está comprador para nossos títulos", afirmou Dayan. Segundo o executivo, 35 instituições participaram da oferta. Esta é a segunda emissão do banco no exterior - no final do ano passado o Daycoval levantou US$ 65 milhões, por dois anos, a 6,87% ao ano. Ambas as captações fazem parte de um programa de emissão de US$ 300 milhões. O banco pretende ir a mercado ao menos uma vez por ano. O diretor explicou que os recursos desta última captação serão usados para financiar operações de crédito para empresas e também financiamento de veículos e crédito consignado para pessoas físicas. "A obtenção de recursos no exterior faz parte da nossa estratégia de diversificação de funding".

Embraer e Sabesp

A Embraer também fechou captação no exterior, de US$ 400 milhões, por dez nos, pagando um rendimento de 6,46% ao ano aos investidores. A empresa esperava captar menos, mas a demanda foi maior. O dinheiro deve ser usado para refinanciar dívidas.

Com o mesmo objetivo, a Sabesp também está com operação na praça. A empresa já tem demanda de US$ 122 milhões para papéis de dez anos, a uma taxa de 7,65%. A Sabesp quer emitir US$ 140 milhões para resgatar papéis com vencimento em 2008 e taxa de 12% ao ano.