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Santander, que em 2007 adquiriu o Banco Real

O grupo financeiro espanhol Santander, que em 2007 adquiriu o Banco Real no País, em processo de incorporação desde outubro do ano passado, registrou um lucro líquido recorrente de R$ 2,75 bilhões no Brasil em 2008, um aumento de 3,7% em relação ao exercício anterior. Entretanto, se analisados eventos extraordinários, o lucro cai 40%, já que em 2007 os ganhos totais de R$ 4,6 bilhões foram, particularmente, inflados por vendas de participações do banco em empresas, como na Bolsa de Mercadorias & Futuros e na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), explicou Fabio Barbosa, presidente do grupo no País. No quatro trimestre de 2008, o lucro atingiu R$ 529 milhões, um avanço de 15,2% ante igual intervalo do ano anterior.

O balanço divulgado ontem é pro-forma, ou seja, considera os números da atividade dos dois bancos conjuntamente, nos respectivos anos de comparação. De Madri, onde acompanhou a divulgação dos resultados mundiais do conglomerado, Barbosa disse que impactou também o desempenho da subsidiária a queda entre 40% e 50% nos ganhos com operações de tesouraria, reflexo da volatilidade no mercado financeiro e da variação cambial. A instituição também aumentou no quarto trimestre, seguindo o exemplo do Bradesco, as provisões contra a inadimplência, em R$ 160 milhões. No total, as provisões cresceram 34,4%.

Barbosa observou que a decisão de elevar as provisões se deu, principalmente, em função das incertezas sobre os impactos da crise na economia real, pois considera os índices atuais normais. O grupo fechou 2008 com média de 5,8% de inadimplência sobre a carteira de crédito, comparativamente a 5% de um ano antes. "Não é preocupante." No ano, o Santander computou ainda um ágio de R$ 26,33 milhões e a amortização de R$ 571 milhões da aquisição do Real, valores que, entretanto, foram desconsiderados no balanço pro-forma.

Em 2008, a subsidiária respondeu por 20% do lucro obtido pelo Santander, disse. Antes da aquisição do Real, a participação girava em torno de 11% a 12%. Sobre os ganhos registrados pela holding na América Latina, a fatia do mercado doméstico foi de 55% no ano passado. Conforme demonstrativo financeiro disponível no site da instituição espanhola, a operação na América Latina - onde tem presença também no Chile e no México - deteve 32% dos lucros do grupo em 2008, que somaram € 8,9 bilhões, alta de 9,4% sobre o ano anterior. "Foi um resultado mundial bastante positivo, diante desse cenário de crise e o Brasil também está muito bem. Estamos otimistas em relação a 2009", disse ele, ressaltando que os números brasileiros ficaram dentro das expectativas do Santander. Seguindo os critérios contábeis da Espanha, que se diferencia em alguns itens dos aplicados no mercado doméstico, o Brasil respondeu por 12% dos ganhos.

Barbosa destacou que o desempenho foi puxado pelo crescimento da carteira de clientes, que, por sua vez, impulsionou em 24,5% a carteira de crédito em 2008, para um total de R$ 139,4 bilhões ao final de dezembro. Comparativamente a setembro de 2008, a carteira de crédito do Santander registrou uma expansão de 7%. Em 2009, o executivo espera um incremento entre 15% e 17% nas operações de crédito do banco, em linha com a perspectiva de média de 16% que tem para o crescimento do mercado no geral. Porém, a concretização das estimativas dependerá do comportamento da economia. O presidente do Santander prevê alta de 2% para o Produto Interno Bruto este ano.

Crédito e captações

"Na pessoa jurídica talvez o banco cresça um pouco mais." A instituição encerrou dezembro com uma carteira de pessoa jurídica de R$ 75,39 bilhões, uma expansão de 31% em um ano e que puxou a elevação do estoque total no último trimestre. Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, a carteira subiu 11%. A maior ênfase do banco nesse segmento, disse Barbosa, foi nas empresas de menor porte, mas a escassez de crédito no exterior também direcionou as grandes companhias para a busca de recursos no mercado interno.

A carteira de pessoa física, que cresceu 18,5% em 12 meses e foi a R$ 58,41 bilhões, subiu apenas 2% no quarto trimestre, e a rural fechou dezembro sem crescimento, comparativamente ao terceiro trimestre. Em 2008, a carteira rural somou R$ 5,6 bilhões, aumento de 8,6% em 12 meses. Conforme Barbosa, o menor crescimento na pessoa física ocorreu nos segmentos de financiamento a veículos e crédito consignado, nas quais o banco ficou abaixo da expansão do mercado. "O Santander demorou um pouco para operar em leasing e esse mercado também estava mais competitivo em taxas e prazos", disse.

No acumulado do ano, a carteira de veículos do banco ficou em R$ 23,05 bilhões, aumento de 11% em relação ao encerramento de 2007, e a de consignado, em R$ 6,83 bilhões, 13% maior. Os destaques na pessoa física foram os cartões de crédito, com evolução de 32,4% em um ano, para R$ 7 bilhões, e o financiamento imobiliário, alta de 29,6%, para R$ 4,5 bilhões.

O maior volume de clientes ajudou também a elevar em 34,9% o volume de depósitos, que foram a R$ 124 bilhões em 2008 - poupança teve alta de 21,7%, a R$ 20,6 bilhões e depósitos a prazo subiram 49,9%, a R$ 86,2 bilhões. Somando fundos, as captações foram 9% maiores, a R$ 204,38 bilhões. O banco fechou o ano com ativos de R$ 315 bilhões, alta de 14,1%, e patrimônio líquido de R$ 23,5 bilhões, 4,3% maior, com o retorno sobre o patrimônio passando de 12,7% para 12%. O índice de eficiência passou de 57,5% para 53%.

As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias tiveram alta de 3,6% em um ano, para R$ 8,1 bilhões, e a margem financeira subiu 3,6%, a R$ 18,8 bilhões. Segundo Barbosa, no total o grupo abriu 49 agências em 2008, passando a 2.089, e a expectativa é de mais 50 para este ano.


A diretoria do quinto maior banco de varejo do Brasil, o Unibanco, deveria se reunir ontem ou hoje para aprovar a aquisição do Banco Sudameris Brasil, de controle italiano, segundo fontes familiarizadas com a situação.

As conversações entre o Unibanco e a controladora do Sudameris, Banca Intesa SpA italiana, intensificaram-se na última semana, acrescentaram as mesmas fontes. Crescem as expectativas de que um anúncio poderá ser feito ainda nesta semana ou no próximo dia 13, quando o Unibanco divulgar os resultados de 2002.

As negociações aconteceram depois do colapso das conversações entre a Intesa e o Banco Itaú sobre preço em novembro passado. O Itaú ofereceu inicialmente US$ 1,44 bilhão pelo Sudameris, mas retirou a proposta após a acelerada desvalorização do real no segundo semestre de 2002.

"O preço (a ser pago pelo Unibanco) não deverá ser muito diferente do oferecido por Itaú à Intesa", declarou outra fonte que acompanha a negociação.

O Sudameris, que é o 15 maior banco brasileiro, não quis comentar o assunto.

O Unibanco declarou em um comunicado: "O Unibanco examina todas as oportunidades potenciais de aquisição. Entretanto, essas compras potenciais serão sempre avaliadas em termos de retorno para nossos acionistas e o valor que trariam aos nossos negócios. Entretanto, a diretoria do Unibanco, como regra, não fala sobre possíveis aquisições."

Se o Unibanco aprovar a compra do Sudameris, o banco vai se isolar como o quinto maior banco do país, distanciando-se do Banespa, a subsidiária brasileira do Santander Central Hispano espanhol.

O Sudameris, que possui cerca de 665 mil contas correntes, também opera no Uruguai, Paraguai, Chile Peru e Colômbia. O Unibanco, que mantém operações também no Paraguai, conta com mais de 12,9 milhões de clientes. "Alguns executivos do Unibanco, no entanto, não se dispõem a comprar os ativos em outros países sul-americanos, mas isto será discutido na reunião", disse a fonte.

Essa transação seria a terceira compra de ativos de controle estrangeiro por um banco brasileiro desde o começo deste ano.

Em meio a expectativas de que as taxas de juros começarão a cair novamente neste ano, os maiores bancos brasileiros estão adquirindo ativos de controle estrangeiro para tentar reduzir custos e ganhar escala em um país do tamanho de um continente. Isso ocorre enquanto os bancos estrangeiros procuram reduzir sua exposição a uma nação que é vista como investimento arriscado. Em janeiro, o Bradesco comprou a carteira de administração de ativos de R$ 7 bilhões do JP Morgan Chase no Brasil por um preço não revelado e adquiriu a operação brasileira do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria por R$ 2,63 bilhões.

O Bradesco também manifestou interesse no Sudameris, mas o presidente do banco Márcio Cypriano disse ontem que não estava examinando qualquer aquisição.