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Itaú avança pelo exterior e inaugura a sua agência no Japão
Autor: Adriana Cotias
Fonte: Gazeta Mercantil, 17/09/2004, Finanças e Mercados, p. B-1

O Banco Itaú Holding Financeira recebeu a licença bancária para iniciar as operações no Japão e inaugura dia 1º a sua agência em Tóquio. Ao marcar presença no varejo asiático, a instituição quebra um jejum de quase dois anos das autoridades japonesas, que desde dezembro de 2002 não faziam uma concessão desse tipo. Ao mesmo tempo, reafirma-se como o banco brasileiro com mais investimentos no exterior. E o processo de internacionalização não vai parar por aí. Até o fim do ano, o Itaú planeja inaugurar uma mesa de operações em Hong Cong.

O banco já contava com um escritório de representação na capital japonesa, mas com o objetivo de aumentar o relacionamento com os países asiáticos decidiu convertê-lo numa agência bancária. Com a nova plataforma, o banco vai disputar o público brasileiro residente no Japão, os chamados dekasseguis, com Banco do Brasil, Bradesco e Banespa, em serviços de depósitos e remessas de recursos para o Brasil.

O Itaú está presente nos Estados Unidos e na Europa, além de contar com unidades na América Central e do Sul. No fim de junho, tinha uma exposição de US$ 2,4 bilhões fora do Brasil, incluindo as atividades não financeiras. O conglomerado fechou o primeiro semestre com ativos totais de R$ 113,0 bilhões. A fatia gerada no exterior correspondia a R$ 30,7 bilhões.

Ao cruzar fronteiras e abrir filiais fora do mercado de origem os bancos nacionais procuram uma extensão dos seus negócios no Brasil. As agências, corretoras e escritórios montados buscam atender o cliente brasileiro que mantém relações comerciais no exterior. É uma forma de atingir novos mercados e de pulverizar os riscos. "A internacionalização traz oportunidades para diversificar ativos e proporciona novas fontes de captação", diz o analista da ABM Consulting, Gustavo Pedreira.

É por meio das subsidiárias estrangeiras que as instituições também lançam e distribuem bônus de emissão própria ou das empresas que representam em operações estruturadas. Ao colocar a placa do banco no outro lado do planeta, o Itaú fortalece a sua marca e pode chegar com mais facilidade aos conservadores investidores japoneses, com a possibilidade de levantar recursos em ienes. "O sistema financeiro japonês é muito competitivo, mas é uma das fontes mais baratas de captação", completa Pedreira.

O especialista diz que a internacionalização é mais do que uma tendência no mercado bancário mundial, não sendo incomum os grandes grupos financeiros diversificarem as suas operações em localidades consideradas estratégicas. A diferença é que, no Brasil, o setor bancário é ainda pequeno quando comparado ao de economias desenvolvidas. "Os ativos do grupo Santander no mundo correspondem ao tamanho do Sistema Financeiro Nacional (SFN)", exemplifica Pedreira.

O Itaú abriu a primeira agência no exterior em 1979, em Nova York, e no ano seguinte seguia para Buenos Aires. Os investimentos foram ampliados com Cayman (Itaubank, em 1992), Itaúsa Portugal (1988), Banco Itaú Europa (1994) e o Banco Itaú Argentina, resultado da transformação da agência em banco. Depois vieram o Itaú Europa Luxemburgo, a aquisição do Banco Del Buen Ayre e a criação da Itaú Securities Inc. NY, em 2002. Em 2003, inaugurou a agência Londres do Itaú Europa.