quinta-feira, 5 de setembro de 2019

BMG Lucro dos bancos médios cresce 2%

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BMG Lucro dos bancos médios cresce 2%

Se o trimestre foi bom para os grandes bancos, para os médios, nem tanto. O lucro líquido de 19 instituições desse porte nos primeiros nove meses deste ano analisados pela Austin Rating cresceu apenas 2%, em relação ao mesmo período de 2013. E os índices de rentabilidade pioraram. As despesas com provisão caíram pouco, enquanto as receitas com crédito e com serviços cresceram na casa dos 9% em 12 meses. Já no caso dos cinco maiores bancos brasileiros, a alta do lucro líquido ajustado no terceiro trimestre foi de 20,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Ou seja: o fraco desempenho da economia, que desacelerou o ritmo de concessão de empréstimos, pesou bem mais sobre os menores.
 
Para Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, os grandes bancos se beneficiaram principalmente da reversão do excesso de provisões para créditos de liquidação duvidosa, que vieram acumulando nos trimestres anteriores com o colchão para se prevenir dos riscos de aumento dos calotes. Agora, coma inadimplência sob controle — até em queda, em algumas dessas instituições — o dinheiro que havia sido reservado foi revertido em lucro. Já os bancos médios não contavam com essa folga, embora também tenham reduzido suas despesas com provisões em 2%.
 
“Os bancos médios também não conseguiram ganhar eficiência como os grandes, apesar de ter foco e uma estrutura muito mais enxuta”, acrescentou Rodrigues. “O índice melhorou apenas levemente, de 69,6% para 69,4%”. O indicador, quanto menor, melhor.
 
O saldo do crédito aumentou apenas 1,2%, de R$ 196,48 bilhões para R$ 198,92 bilhões, com destaque negativo para o BMG (que recuou 42,3% após a venda da sua carteira de consignado para o Itaú). As receitas com crédito evoluíram 8,1%, para R$ 27,82 bilhões—a maior variação foi registrada pelo Indusval (alta de 54,5%). As receitas com serviços aumentaram 9,7% na média, para R$ 4,93 bilhões— com destaque novamente para o Indusval, que praticamente dobrou o volume para R$ 49 milhões. O Pine, ao contrário, teve recuo de 24,1%, para R$ 70 milhões.
 
Para Carlos Daltozo, analista da área de bancos e serviços financeiros da BB Investimentos, os resultados não surpreenderam. Para ele, “O melhor foi apresentado pelo ABC Brasil, que voltou a exibir crescimento do crédito voltado ao segmento corporativo, e boa rentabilidade: 17,4% ao ano, anualizada”. A média dos 19 bancos ficou em 10,6%.
 
Daltozo considera a amostra “poluída” por dois dos maiores da lista que vieram com prejuízos, o BicBanco e o Banco Pan. Retirando ambos e mais o BMB e o Indusval da amostra—que também tiveram prejuízos nos nove meses de 2014 — o lucro teria subido de R$ 1,73 bilhão nos primeiros nove meses de 2013 para R$ 2,53 bilhões no mesmo período deste ano. Mas, retirando da amostra o Votorantim — que teve prejuízo de R$ 633 milhões de janeiro a setembro do ano passado—,a situação piora: a soma do lucro acumulado dos 14 bancos ficaria em R$ 2,11 bilhões, ante R$ 2,36 bilhões nos nove meses de 2013.
 
A agência de classificação de risco de crédito Fitch Ratings também considerou os resultados dos bancos brasileiros de pequeno e médio portes reduzidos, porém adequados no terceiro trimestre. “Os oito bancos de médio porte do país analisados retomaram o crescimento do crédito, com alta média de 4%. A qualidade dos ativos permaneceu boa na maioria dos casos, devido à expertise destes bancos em estruturar adequadamente suas exposições ao crédito, que se apoiam em uma cobertura mais forte das garantias, especialmente no universo das pequenas e médias empresas (PMEs)”, diz Claudio Gallina, diretor da divisão de instituições financeiras da Fitch, em relatório.
 
A agência considera que, em tempos de menor atividade econômica, o segmento das PMEs é um dos mais vulneráveis ao desempenho econômico enfraquecido, já que os fluxos de caixa dessas companhias são mais sensíveis, o que dificulta seu acesso a captações adequadas. Foi o que afetou o desempenho do Banco Pine no terceiro trimestre, por exemplo.
 
Por outro lado, a Fitch vê na mudança nas fontes de captação dos bancos brasileiros nos últimos cinco anos um importante benefício para esses bancos. “As Letras Financeiras, Letras de Crédito Imobiliário e Letras de Crédito do Agronegócio contribuíram para melhorar os perfis de captação nos bancos de menor porte do Brasil, depois da fraude no Banco Panamericano, há cinco anos, embora as instituições maiores também tenham sido beneficiadas”, diz Eduardo Ribas, diretor do grupo de Instituições Financeiras na América Latina da Fitch, em relatório enviado ontem a investidores. “Os bancos brasileiros exploraram novos instrumentos disponibilizados pelos reguladores para atrair recursos e reduzir os custos de captação em geral. Como resultado, os bancos continuaram buscando fontes diversificadas de captação e incorporaram mais estes novos instrumentos, que são semelhantes a depósitos, melhorando assim seu perfil de captação, em geral, e favorecendo uma gestão melhor de ativos e passivos.”
 
Segundo Ribas, esses novos instrumentos de captação minimizaram as limitações comuns, embora relevantes, enfrentadas pelos bancos de pequeno e médio portes do Brasil nos mercados onde os depósitos estão concentrados em grandes bancos, nacionalmente. “Além disso, seus prazos mais longos aumentam a estabilidade dos perfis financeiros e fortalecem a administração de vencimentos de ativos e passivos nos balanços”, diz. Os depósitos devoluíram de R$ 119,54 bilhões para R$ 127,68 bilhões.
 
Fonte: Brasil Econômico / Léa de Luca - 25.11.14