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Título: BMG lança ofensiva para financiar bens de consumo via consignado
Autor: Moreira, Ivana
Fonte: Valor Econômico, 21/08/2006, Finanças, p. C2

O BMG resolveu aumentar as apostas na venda de bens duráveis com crédito consignado. Vai abrir uma loja-vitrine em cada capital do país, fazer campanha na mídia e disputar abertamente este mercado com grandes redes varejistas. O banco já atua no segmento desde janeiro - colocando os correspondentes para vender mercadorias por meio de catálogos e também na internet - mas viu as operações crescerem intensamente desde que abriu sua primeira loja-vitrine, no centro de Belo Horizonte.

Com apenas 30 dias de funcionamento, os números indicam que a vitrine de eletrodomésticos e eletrônicos provocou um aumento de mais de 50% nas vendas da área. Com os dados nas mãos, a direção do banco resolveu intensificar a estratégia, com novas lojas em todas as capitais. Até o fim do ano, pelo menos dez lojas estarão de portas abertas.

Vários outros bancos, como Panamericano, HSBC e Unibanco fazem o chamado CDC consignado, mas nenhum chegou a abrir lojas de produtos. A expectativa do BMG é que a venda de bens duráveis faça a penetração do crédito consignado subir, num prazo de seis meses, dos atuais 35% para algo entre 50% e 55% nos convênios que têm com INSS, órgãos públicos e empresas privadas.

"Apenas um terço da base de um convênio quer tomar empréstimo", explica o superintendente, Fábio Belisário. "Existe um grupo, que é de 15% a 20% da base, que só se interessa por crédito para poder financiar a compra de um bem."

Na concorrência com as redes de eletrodomésticos, o BMG leva a vantagem de poder oferecer taxa melhor, prazo maior e, muitas vezes, melhor preço. O banco negociou com dez fabricantes de 83 produtos de linha branca, linha marrom, cine e foto e bicicletas. Pagando à vista, Belisário garante estar conseguindo preços menores.

Quando um aposentado compra o bem, na loja ou com o correspondente bancário, a mercadoria é paga à vista e segue, diretamente da indústria fornecedora para o endereço do comprador. "Não temos de ter estoque", afirma o superintendente. O serviço de gerenciamento dessa logística para entrega das mercadorias foi terceirizado.

A taxa de juros e o prazo de pagamento variam dependendo do convênio. No caso dos aposentados e pensionistas do INSS, a taxa é de no máximo 2,9%, teto imposto pela Previdência, e o pagamento em até 36 meses. Mas há convênios que permitem o pagamento de uma televisão em até 60 meses, como os de servidores federais. Em todos os casos, o prazo mínimo de financiamento é de 15 meses.

Segundo o BMG, a loja está recebendo uma média mensal de 280 pessoas por dia. Aposentados e funcionários de empresas conveniadas ao banco vão à loja, fazem a simulação de compra e atravessam a rua para comparar os preços. A vitrine do BMG fica na rua Curitiba, tradicional endereço no centro da capital mineira onde ficam praticamente todas as grandes redes varejistas. Nas outras cidades, a meta é encontrar pontos semelhantes.

"Como nossas taxas são menores, eles comparam o valor da prestação e voltam para fechar a operação conosco", conta. Segundo ele, na capital mineira, os aparelhos de televisão são o carro-chefe de vendas. "Às vezes, com a mesma prestação, a pessoa pode levar um aparelho superior, uma televisão maior, por exemplo." Após a aprovação da operação, com consulta da margem consignável do cliente, a mercadoria é entregue num prazo que varia de cinco a 15 dias úteis, dependendo da localidade. De acordo com o banco, não há cobrança adicional de frete.

O BMG é líder nacional na modalidade de crédito consignado. A carteira total de crédito, ao fim do primeiro semestre, era de R$ 8 bilhões, 9,7% maior que em dezembro de 2005. No balanço do período, a instituição registrou um lucro líquido de R$ 124,5 milhões, com rentabilidade de 30%. A carteira total de crédito, ao fim do semestre, era de R$ 8 bilhões, 9,7% maior que em dezembro de 2005.