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Banco BMG obtém crédito e amplia capital em até R$ 1 bi
Autor: Carvalho ,Maria Christina
Fonte: Valor Econômico, 26/03/2008, Finanças, p. C7

O Banco BMG fecha amanhã operação com o Banco UBS Pactual que vai capitalizar a instituição mineira e lhe dar o fôlego para aguardar a melhoria do mercado para uma eventual futura abertura de capital e lançamento de ações (IPO, na sigla em inglês) ou venda de participação acionária a investidor estratégico.

Pela operação, uma linha de crédito de até R$ 1 bilhão foi estendida aos acionistas que utilizarão os recursos para capitalizar o BMG. A família Pentagna Guimarães, que controla 99% do banco, já aprovou a operação. Uma primeira tranche de R$ 600 milhões será integralizada ainda esta semana. A segunda será utilizada em data a ser definida pelos acionistas.

Com isso, o patrimônio do BMG, que terminou 2007 com R$ 1,328 bilhão, vai chegar à marca de R$ 2 bilhões sem contar a segunda tranche e o banco recuperará o posto de banco médio com maior poder de fogo, ameaçado depois que outras instituições se capitalizaram com emissões de ações. O índice da Basiléia do banco, que mede a relação entre patrimônio e os ativos, vai subir de 12,3% em dezembro para pouco mais de 16%, acima dos 11% mínimos exigidos pelo Banco Central (BC).

Para o presidente do BMG, Ricardo Guimarães, essa foi a solução "mais adequada para o banco atravessar o o atual momento de crise no mercado internacional e se preparar para a mudança na legislação na contabilização das cessões de carteira de crédito", que vai vigorar em 2009.

O presidente do BMG disse que a operação dá ao banco condições de se preparar com calma para o futuro. "Só faremos um IPO ou uma fusão no momento ideal. Agora temos condição de decidir sem pressa".

O empréstimo tem prazo de cinco anos. O juro não foi revelado, mas o BMG garantiu que é bastante atraente uma vez que o maior prêmio do UBS Pactual é ser o assessor do banco nos futuros IPO e venda de participação acionária.

O UBS Pactual não descarta uma combinação das duas estratégias, uma abertura de capital e venda de participação a investidor estratégico.

Um dos maiores bancos médios em originação de crédito, especializado em consignado e financiamento de veículos, o BMG chegou a ser assediado por várias propostas de IPO e venda de controle no ano passado. Por um acordo de 2005, que expirou em novembro, o Itaú tinha direito de preferência caso houvesse venda de ações.

A expectativa é que as condições serão bem melhores assim que o Brasil passar a grau de investimento ("investment grade"). Como lembrou o diretor executivo do BMG, Ricardo Gelbaum, cerca de 80% da carteira do banco têm como risco entidades governamentais, que pagam os salários das pessoas que tomam o consignado.

O Banco BMG fechou 2007 com lucro de R$ 507 milhões e retorno de 38,2%. A carteira de crédito ficou em R$ 12,465 bilhões. Em fevereiro, já pulou para R$ 13 bilhões, dos quais R$ 4,4 bilhões são mantidos no balanço e o restante é cedido a outros bancos ou ao mercado em Fundo de Investimento de Direito Creditório (FIDCs). Do total da carteira, o consignado monta a R$ 10,4 bilhão; o financiamento de veículos a R$ 1,8 bilhão; e o crédito comercial, a R$ 800 milhões.

O banco tem 4,5 milhões de clientes informou o vice-presidente Márcio Alaor de Araújo e está com uma rede de 600 correspondentes, com 30 mil agentes, com 1,3 mil pontos de venda próprios e 2,7 mil de correspondentes.

Em 2007, a carteira de crédito mantida em balanço pelo BMG cresceu 54%. Neste ano, o crédito vai crescer mais 25%, prevê o presidente do banco.

Para sustentar a expansão, além da capitalização feita pelos acionistas, o banco mantém as cessões de carteira e captações externas. Na semana passada, fez uma captação externa de US$ 250 milhões, prevista inicialmente para US$ 100 milhões, e lançou o FIDC VII, de crédito consignado do setor público, com expectativa de captação de R$ 500 milhões, que já levantou R$ 250 milhões.