Postagem em destaque

saiba

VE

BMG eleva capital em 88%, para R$ 380 mi
Autor: Ivana Moreira
Fonte: Valor Econômico, 09/02/2006, Finanças, p. C3

Estratégia Crise de imagem do banco não prejudica resultados; lucro líquido cresceu 39% no ano passado

O capital do banco mineiro BMG foi elevado em 88%, subindo de R$ 201,85 milhões para R$ 380 milhões. A aprovação do aumento de capital pelo Banco Central (BC) foi divulgada ontem, no Sistema de Informação do BC. Não houve chamada de capital para injeção de dinheiro novo no banco. O acréscimo de quase R$ 180 milhões foi feito através de transferência da reserva de lucros. Procurada pelo Valor, a direção do BMG não quis dar entrevista para explicar a decisão de aumentar o capital. Em nota enviada pela assessoria de imprensa, o banco apenas confirmou que não houve ingresso de novos recursos e sim transferência de reservas. O lucro líquido do BMG em 2005 foi 39,05% maior que o de 2004, chegando a R$ 382,8 milhões. O valor superou em R$ 107,5 milhões o resultado de 2004, que foi de R$ 275,3 milhões. Envolvido nas denúncias de corrupção no governo federal, o BMG conseguiu fechar o balanço de 2005 com resultado bastante positivo. Os números divulgados pela instituição indicam que a crise de imagem provocada pela exposição negativa na mídia não chegou a comprometer a rentabilidade do negócio, diferentemente do que ocorreu com o também mineiro Banco Rural. As investigações na CPI dos Correios, no Congresso, revelaram que o BMG e o Rural financiaram um esquema de caixa dois no Partido dos Trabalhadores, através de empréstimos diretos ao partido ou para empresas do mineiro Marcos Valério de Souza. O empresário mineiro é acusado de ser operador do esquema do Mensalão no Congresso, que teria sido montado para garantir apoio aos projetos do governo federal. O Rural sofreu duras perdas, entrou no vermelho e precisou fechar agências e reduzir o quadro de pessoal. Já o BMG conseguiu manter sua liderança nacional no segmento de crédito consignado, apesar das acusações sobre favorecimento no contrato com o Instituto Nacional de Previdência Social (INSS). O BMG foi o primeiro banco privado a assinar convênio com o INSS para empréstimo com desconto em folha para aposentados e pensionistas. A instituição tem hoje a maior parte dos contratos de empréstimos para aposentados e pensionistas. Membros da CPI dos Correios chegaram a relacionar o convênio com o INSS e operações de cessão de crédito com a Caixa Econômica Federal ao empréstimo concedido pelo BMG ao Partido dos Trabalhadores, de R$ 2,3 milhões, no início do governo Lula. O PT - e também as empresas de Marcos Valério - não honraram prazos de amortização dos contratos de empréstimo com o BMG. Mesmo assim, os créditos vinham sendo renovados até virem à tona as denúncias sobre irregularidades nestes empréstimos. Hoje, o banco tem ações de cobrança na Justiça para tentar receber a dívida. Conforme o balanço publicado no mês passado, o BMG triplicou os valores do provisionamento para créditos de liquidação duvidosa. Em 2004, a provisão era de R$ 44,7 milhões. No ano passado, o provisionamento chegou a R$ 151,6 milhões. O patrimônio líquido subiu de R$ 536,6 milhões para R$ 803,7 milhões no ano passado. Os ativos totais já somam R$ 3,952 bilhões.