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Chilenos assumem controle da TAM
Autor: Caprioli, Gabriel
Fonte: Correio Braziliense, 14/08/2010, Economia, p. 16

ARRANCADA As ações da companhia brasileira registraram alta de 27,64 % somente ontem da BM&FBovespa

Aviação

Empresa brasileira anuncia fusão com a LAN, criando a Latam, a maior aérea da América Latina, avaliada em US$ 12 bilhões. Família Cueto terá 79,6% das ações com direito a voto e a Amaro, 20,4%

A TAM e a chilena LAN anunciaram ontem a fusão de suas operações, que resultará na criação da maior companhia aérea da América Latina, sob a denominação Latam Airlines, com valor de mercado de US$ 12 bilhões, voos para mais 115 destinos em 23 países e aproximadamente 40 mil funcionários. Pelo contrato firmado entre as famílias Amaro e Cueto, que controlam as duas empresas, os chilenos terão 79,6% das ações ordinárias (com direito a voto) da nova companhia ou seja, o poder de decisão e os brasileiros, 20,4%. Se forem mantidas as bases do memorando de entendimento divulgado ontem, Enrique Cueto será o presidente da Latam e Maurício Rolim Amaro, o presidente do Conselho de Administração. A expectativa é economizar US$ 400 milhões com a união das operações (sinergia).

O anúncio da fusão veio um dia depois de a TAM comunicar prejuízos de R$ 154,1 milhões no segundo trimestre deste ano, o que acendeu o sinal de alerta entre os analistas de mercado. Sem dúvida, a família Amaro será minoritária na nova empresa, porque a TAM não está capitalizada o suficiente para garantir uma fatia maior no negócio, destacou um analista de mercado. Ele garantiu que a operação foi conduzida pelo banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, e por Marco Bologna, presidente do Conselho de Administração da TAM. No desenho da nova empresa, serão mantidas, nas aeronaves, as marcas TAM e LAN. Prevalecerá, em cada caso, a liderança de mercado.

A fatia minoritária dos brasileiros na Latam ficou evidente por meio do comunicado enviado pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador e fiscalizador do mercado. Na fusão, serão extintas as ações da TAM negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) e na Bolsa de Nova York (NYSE). Os papéis serão substituídos por títulos da empresa chilena. Os acionistas da brasileira receberão recibos conhecidos como BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que equivalerão a 0,9 de ação da LAN e poderão ser negociados na bolsa paulista.

Informação privilegiada A confirmação da fusão entre a TAM e a LAN saiu ainda com as bolsas de valores em pleno funcionamento, pois os preços das ações da empresa brasileira começaram a disparar, um sinal de que investidores tiveram acesso a informações privilegiadas o que será investigado pela CVM. Os papéis da TAM abriram o dia a R$ 27,98, caíram para R$ 26,90 na hora do almoço e, por volta das quatro da tarde, dispararam para encerrar as negociações a R$ 36,20 alta de 27,64% em relação à véspera.

Diante dos rumores que tomaram conta do mercado, não havia como a TAM não divulgar a fusão com a LAN. A especulação sobre o negócio tomou conta das mesas de operações de bancos e corretoras como uma avalanche. Certamente, um grupo privilegiado ganhou muito dinheiro. Vamos ver se a CVM fará alguma coisa para coibir esse tipo de movimento, que se tornou rotina às vésperas do anúncio de grandes fusões. Basta lembrar a união do Pão de Açúcar com as Casas Bahia, acrescentou um operador de um grande banco estrangeiro.

Apesar de o fato relevante publicado pela companhia brasileira não conter todos os detalhes da operação, conforme destacou o analista Guilherme Mazzili, da Daycoval Asset Management, a perspectiva é de que as operações da TAM ganhem musculatura. Esse, segundo ele, teria sido o principal motivo para a arrancada das ações da empresa no fim do pregão de ontem da BM&FBovespa. Na Bolsa do Chile, o entusiasmo dos investidores foi menor: os papéis da LAN avançaram 7,74%.

Tendência mundial Para Ruy Coutinho, ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a fusão da TAM com a LAN segue uma tendência mundial de concentração das companhias aéreas. No mercado doméstico, caracterizado pelo duopólio entre a Gol e a TAM, Coutinho destacou que será necessário aguardar a estratégia de atuação da Latam, empresa resultante da junção entre a brasileira e a chilena. É preciso ver qual será o mercado relevante pretendido pelas empresas. A LAN voa para diversos destinos nas Américas, enquanto a TAM tem uma boa entrada na Europa. Juntas, vão atender todo esse mercado, assinalou.

As duas companhias esperam chegar a um acordo definitivo sobre a fusão em até três meses, segundo estimativa de Enrique Cueto, futuro presidente da Latam. Antes de ser efetivada, a operação será submetida à análise dos órgãos de defesa da concorrência no Chile e no Brasil. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também terá que dar seu parecer ao negócio.

A tendência de fusões foi uma das maneiras encontradas pelas companhias para se fortalecerem diante dos graves problemas enfrentados na crise econômica mundial. De acordo com estudo da Consultoria Economática, as duas maiores empresas brasileiras estão entre as que mais tiveram dificuldade de registrar lucro no primeiro semestre deste ano, apesar do alto volume de vendas. A TAM ficou em quarto lugar na lista das maiores receitas, com crescimento de 14,4% sobre os primeiros seis meses de 2009, mas teve prejuízo de US$ 117,7 milhões. Já a Gol teve o maior avanço nas receitas entre as 11 empresas pesquisadas (24,2%), mas amargou perdas de US$ 15,5 milhões entre janeiro e junho deste ano.

NO VERMELHO A TAM registrou prejuízo de R$ 154,1 milhões no segundo trimestre deste ano

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