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BMG prevê R$ 10 bi de crédito
Autor: Renée Pereira
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/09/2005, Economia & Negócios, p. B5

Envolvido na crise política por ter concedido empréstimos ao publicitário Marcos Valério e ao PT, o Banco BMG quer mostrar que suas operações não foram afetadas pelos escândalos. A instituição, responsável por 40% do mercado de crédito consignado no País, projeta que até o final do ano atinja a marca de R$ 10 bilhões emprestados só nessa modalidade. Até junho, a cifra havia chegado a R$ 6,5 bilhões, quase o dobro da registrada em dezembro, de R$ 3,7 bilhões. "Já conseguimos praticamente cumprir a meta inicial, que era de R$ 7,5 bilhões", diz o vice-presidente do banco, Roberto Rigotto.

Diante desse desempenho e com a descoberta dos empréstimos a Marcos Valério, que teriam sido repassados ao PT, várias especulações surgiram no mercado. Uma delas era que o BMG teria sido beneficiado pelo governo ao atuar por algum tempo sozinho ao lado da Caixa Econômica Federal na concessão de crédito consignado aos aposentados do INSS. Isso teria dado vantagem ao banco sobre os concorrentes.

Rigotto, no entanto, desmente essa versão e diz que o banco sempre teve know-how para atuar nessa área. "Nosso foco é o crédito consignado, diferentemente dos grandes bancos, que atuam em outros nichos. Temos mais experiência nessa modalidade."

O aumento dos empréstimos foi responsável pelo crescimento de 247% do lucro do banco, de R$ 266 milhões. O número foi alcançado mesmo com o provisionamento de R$ 56 milhões de crédito de difícil recebimento. Nesse valor estão inclusos R$ 35 milhões concedidos a Marcos Valério. "É bom esclarecer que isso é um provisionamento e não o reconhecimento de prejuízo. Temos garantias patrimoniais de alguns valores", esclareceu Rigotto.

Sobre a empresa Centerpharma, que está sendo investigada por subfaturamento e sonegação de impostos na importação de produtos, o executivo afirmou que ela não faz parte do banco, embora pertença ao proprietário da instituição.

PERFIL

Rigotto esteve ontem em São Paulo, onde apresentou uma pesquisa sobre o perfil do tomador de crédito consignado do INSS. Segundo ele, até junho o volume de empréstimos para aposentados e pensionistas havia somado R$ 2,5 bilhões.

Segundo estudo feito pelo Ibope Solution, a pedido do BMG, 78% dos tomadores pertencem às classes C e D e 65% têm renda de R$ 300 a R$ 999. A maioria dos empréstimos, 59%, é feita por mulheres.

O principal motivo para a obtenção do crédito continua sendo a quitação de dívidas. Das 365 pessoas entrevistadas, 46% deram essa justificativa. Cerca de 41% afirmaram que o dinheiro foi destinado ao pagamento de pendências em lojas, especialmente em supermercados.

Outros 29% disseram que o dinheiro emprestado cobriu cartão de crédito, empréstimos e cheque especial. O estudo mostrou ainda que 32% dos entrevistados pegaram empréstimo de R$ 1,5 mil a R$ 2,49 mil e 28%, entre R$ 2,5 mil e R$ 5,99 mil.

Segundo Rigotto, hoje cerca de 80% do mercado de crédito consignado para aposentados já está atendido. Mas ainda há grande potencial nesse segmento.

Na opinião dele, porém, o principal mercado a ser explorado a partir de agora é o de funcionários de empresas privadas. Até junho, cerca de R$ 1,5 bilhão havia sido liberado. Em dezembro do ano passado, esse número era de R$ 300 milhões.

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