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BMG é o pioneiro no crédito consignado
Autor: Ivana Moreira
Fonte: Valor Econômico, 05/07/2005, Política, p. A4

Crise Credor do PT, banco mineiro ajudou a CUT e o governo na edição da MP que instituiu a modalidade

Credor do Partido dos Trabalhadores, num contrato de empréstimo no valor total de R$ 2,4 milhões, o banco mineiro BMG, segundo seu vice-presidente Roberto Rigotto, contribuiu com o governo na edição da Medida Provisória 130, de 18 de setembro de 2003, que instituiu no país o crédito consignado como alternativa de empréstimo com taxas de juros reduzidas. Hoje, o banco é o mais ativo na modalidade, especialmente no crédito a aposentados e pensionistas da Previdência. Em junho, o banco tinha 36,6% dos contratos a beneficiários do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Ou seja: uma carteira de R$ 2,57 bilhões de um total de R$ 7,02 bilhões de empréstimos concedidos por todas as 33 instituições financeiras conveniadas. Em maio de 2004, BMG foi o primeiro banco privado a assinar convênio com o INSS, logo depois da Caixa Econômica Federal. As informações são da Previdência. Segundo relato de Rigotto, o banco foi procurado pelo atual presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o petista Luiz Marinho, que queria informações sobre o crédito consignado. O BMG já fazia, desde 2001, empréstimo com desconto em folha para funcionários públicos em vários Estados. Marinho tinha interesse em estender a operação aos trabalhadores da iniciativa privada e levou o assunto ao conhecimento do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. "O governo comprou a idéia", contou o vice-presidente o BMG ao Valor, em entrevista recente. O executivo revelou que contribuiu no processo repassando informações sobre a modalidade. "Temos expertise nisso", justificou. A MP foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ação de governo para combater os altos juros cobrados pelos bancos e beneficiar os trabalhadores. A medida provisória foi convertida na lei 10.820 em 18 de dezembro de 2003. A primeira versão da legislação criava a possibilidade de os sindicatos, como intermediários dos convênios entre empresas e bancos, serem remunerados pelas instituições financeiras. Mas, numa segunda redação, o parágrafo 7o do artigo 4o da lei vedou essa possibilidade de remuneração às entidades sindicais. "A lei foi feita para a iniciativa privada", afirmou Rigotto. Mas não pegou. A maior parte dos grandes bancos não se interessou pelo projeto, que representaria perda de receita. É mais vantajoso vender cheque especial e crédito pessoal com taxas mais elevadas aos funcionários de uma empresa cliente do que vender crédito consignado com taxas entre 1,5% e 3,5% ao mês. Por enquanto, o projeto tem interessado mais a bancos médios como o próprio BMG, que se especializou no nicho do crédito consignado e já tem mais de 2 mil empresas da iniciativa privada conveniadas para o empréstimo com desconto em folha. A reportagem do Valor procurou ontem a direção do BMG para retomar o assunto e perguntar se a concessão de empréstimo ao PT influenciou de alguma forma a assinatura do convênio com o INSS, em maio de 2004. O banco, no entanto, não quis se pronunciar sobre o assunto. Em fevereiro de 2003, o BMG concedeu um empréstimo de R$ 2,4 milhões ao Partido dos Trabalhadores, tendo o publicitário Marcos Valério de Souza como avalista e devedor solidário. Marcos Valério, acusado de ser o operador do esquema de mensalão para deputados da base aliada, chegou a quitar para o PT uma parcela deste empréstimo no valor de R$ 349,9 mil, através de uma das suas agências de publicidade, a SMP&B. De acordo com informações publicadas pela revista "Veja" no fim de semana, Marcos Valério teria levado dirigentes do BMG a Brasília, para falar com o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. De acordo com a reportagem da "Veja", foi depois deste encontro em Brasília que o BMG concordou em conceder o empréstimo. Sobre a operação de crédito ao PT, o banco mineiro também não quis se pronunciar. De acordo com a assessoria de imprensa do BMG, trata-se de respeito ao sigilo bancário do cliente. A assessoria de imprensa da CUT informou ontem que o BMG foi apenas uma das instituições financeiras no "estudo de casos" feito pela central antes de apresentar o projeto de crédito consignado, que foi encampado pelo governo federal. A assessoria da CUT ressaltou que não intermediou nenhum encontro de dirigentes do BMG com membros do governo federal e que não tem nenhuma participação mesmo que indireta na negociação do empréstimo do banco ao Partido dos Trabalhadores.

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