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'Aval moral' de Genoino garantiu empréstimo, diz BMG
Autor: Sérgio Gobetti
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/09/2005, Nacional, p. A10

O presidente do BMG, Ricardo Guimarães, disse ontem, em depoimento a uma subcomissão da CPI dos Correios, que os empréstimos concedidos ao PT tinham uma espécie de "aval moral" do ex-presidente do partido José Genoino e do ex-tesoureiro Delúbio Soares. Ele confirmou também a intermediação realizada pelo publicitário Marcos Valério para que ele fosse recebido em audiência no Palácio do Planalto pelo ex-ministro José Dirceu. O encontro entre Dirceu e Guimarães ocorreu em 20 de fevereiro de 2003, apenas três dias depois de o PT receber o empréstimo de R$ 2,4 milhões do BMG. Cinco dias depois, outra coincidência: o BMG liberou um novo empréstimo, de R$ 12 milhões, para Marcos Valério. Esse dinheiro, segundo o próprio publicitário mineiro, teria sido utilizado para repassar para políticos e partidos aliados do governo Lula, mas o presidente do BMG disse desconhecer essa triangulação.

"Pelas nossas análises, o PT tinha e tem condições de pagar. O PT tinha o Fundo Partidário, mensalidade de militantes, o aval de um empresário rico (Marcos Valério) e o aval moral dos seus dirigentes", afirmou o banqueiro.

Segundo ele, o PT já teria pago R$ 800 mil dos juros do empréstimo, e Marcos Valério outros R$ 350 mil, mas o saldo devedor estaria ainda em R$ 3,3 milhões. "Essa dívida venceu no fim de agosto e está sendo executada judicialmente", disse Guimarães.

PERFIL

Para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), responsável por conduzir o depoimento, a decisão do BMG de conceder empréstimos ao PT e a Marcos Valério, num total de R$ 34 milhões (ou 4% do patrimônio líquido do banco) é contraditória com o perfil de negócios do banco, que usa 90% de seu capital com crédito consignado, e só se explica pelo interesse de abrir uma porta de acesso ao governo federal.

"O que fica muito claro é que houve uma aposta de intermediação do Marcos Valério num projeto de médio e longo prazo", diz o tucano. "Fica demonstrado que o Marcos Valério era um facilitador e buscava atender aos interesses das duas partes (PT e BMG)."

O parlamentar também chama a atenção para o fato de que não há comprovação de que os empréstimos obtidos no BMG e no Banco Rural sejam de fato a fonte dos recursos canalizados a partidos e políticos aliados. O dinheiro dos empréstimos era pulverizado, passeava por várias contas. Isso é típico de lavagem de dinheiro", opina Fruet.

Na sua avaliação, o propinoduto de Marcos Valério pode superar os R$ 55,8 milhões declarados por ele. Um dos indícios é dado pelo fato de que R$ 1,7 milhão foi repassado no início de 2003, antes das operações de empréstimo.

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