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Título: Santander, BB e Unibanco emitem US$ 800 milhões
Autor: Alessandra Bellotto
Fonte: Gazeta Mercantil, 14/09/2004, Finanças & Mercados, p. B-1

Em setembro, operações superam US$ 2,3 bi; no ano, US$ 11,5 bi. Mais três bancos fecharam captações no mercado internacional, aproveitando a janela de oportunidade aberta na semana passada com as emissões soberana (¿750 milhões) e da Petrobras (US$ 600 milhões). Ontem, o Santander Banespa obteve US$ 400 milhões, o Banco do Brasil, US$ 300 milhões e o Unibanco, US$ 100 milhões. Com isso, chega a US$ 2,31 bilhões o total captado (incluindo o Tesouro) no exterior só em setembro - no ano, as emissões superam os US$ 11,5 bilhões.

O volume tende a crescer. Em andamento, destacam-se pelo menos quatro outras emissões: CSN (US$ 200 milhões), BMG (¿ 10 milhões), Banco Schahin (US$ 10 milhões) e Cath Empreendimentos (US$ 30 milhões). A GP Investimentos já sinalizou que planeja captar US$ 200 milhões, assim como a Eletropaulo anunciou que vai se reunir com investidores para identificar interesse e condições.

"Haverá muita emissão daqui para frente. O final de ano será animado", afirmou o diretor de renda fixa internacional do Banif Investment Bank, Luís Paixão. Segundo ele, os potenciais emissores são aqueles com vencimentos próximos e ainda empresas de setores como o de siderurgia em busca de recursos para investimentos.

As condições de mercado, informou Paixão, melhoraram muito neste semestre, fazendo com que os investidores voltassem a atenção para mercados mais rentáveis como o Brasil. Entre os fatores, ele citou o crescimento econômico do País, o recuo do risco-Brasil para o patamar dos 500 pontos e o câmbio favorável. Do lado externo, há pelo menos dois pontos importantes. O primeiro, segundo ele, é o fim das férias e a retomada dos negócios no Hemisfério Norte. Também contribui o menor nível das taxas de juros americanas. Os títulos de dez anos pagavam ontem cerca de 4,14%.

As três novas captações oferecem algum tipo de garantia. Tanto a emissão do Santander Banespa quanto a do Unibanco - ambas com prazo de sete anos - têm como lastro o fluxo financeiro de clientes. A operação do Unibanco, coordenada por sua subsidiária UBB Finance Company, conta ainda com cobertura de risco de crédito da MBIA Insurance Corporation. No caso do BB, trata-se de uma captação via emissão de dívida subordinada - a primeira desse tipo realizada pelo banco e também a primeira no ano. Os títulos vencem em dez anos e têm cobertura de risco político através de uma carta de crédito emitida pelo CSFB, líder da operação ao lado da BB Securities.

A emissão do Santander, que tem prazo de sete anos e amortização semestral com dois anos e meio de carência, vai pagar retorno de 5,73% ao ano, segundo informou o banco. Já os papéis do Unibanco, que vencem em 15 de julho de 2011 (prazo de sete anos e três de carência), tem cupom de 0,45% sobre a Libor (juro interbancário londrino) trimestral. "Pelo prazo da operação, o custo foi bem eficiente", afirmou o superintendente da área de mercado de capitais internacional, Marcelo Fanganiello. Segundo ele, o banco não tinha necessidade de recursos, mas decidiu aproveitar a boa oportunidade para alongar o perfil de sua dívida externa. Fanganiello disse que neste ano havia US$ 400 milhões em bônus vencendo - o mesmo montante foi captado pelo banco.

A emissão do BB, segundo o diretor da área internacional do banco, Augusto Braúna, teve como objetivo obter recursos para financiar comércio exterior e também melhorar o índice de Basiléia, já que a operação é classificada como capital no balanço. "Conseguimos uma alavancagem operacional de R$ 8 bilhões em ativos para empréstimos". Os papéis têm cupom semestral de 8,5% ao ano e foram emitidos ao preço de 99,174% do valor de face. A taxa ficou em 8,625% ao ano.

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